Resenha de Oh! No! It’s Heavy Polysick!!, de POLYSICS (Ki/oon Records, 2011). Nota: 9,5.
A década de 70, entre outras muitas coisas, foi a paisagem para a criação do punk rock e popularização dos videogames. Quem diria que algumas décadas depois os Sex Pistols e PONG se cruzariam com tanta naturalidade.
O quarteto de retardados do POLYSICS continua fiel àquela mistura infalível de rock nervoso com sons eletrônicos comuns aos joguinhos do Master System. E, mesmo depois de uma imensidão de lançamentos, a fórmula usada em todos os CDs não passa da validade.
O entrosamento excepcional entre os músicos e a parafernália monofônica e o habitual punhado de ótimas canções torna Oh! No! It’s Heavy Polysick!!! tão fresco quanto um début.
Sempre engraçado perceber que, mesmo utilizando todos esses efeitos eletrônicos, os caras soam incrivelmente orgânicos. E mesmo o dilema habitual de um disco do POLYSICS, a cacetada monolítica de barulhos que é o som do grupo, é vencido aqui. Pode ouvir sem susto, você não vai sentir qualquer tipo de enjoo auditivo.
É acachapante a esperteza dos refrões, a massa de guitarras viscerais e a quantidade certa de insolência empregada nos pouco mais de quarenta minutos do CD. “Bleeping Hedgehog”, “Jumping Up and Clash” e “Smile to Me” são algumas das muitas candidatas a clássicos imediatos no álbum.
Tudo é extremamente caótico, rápido e insano, mas essa loucura é bem formatada ao ponto de se tornar instigante. Se Brian Lee O’Malley criou a fusão perfeita entre videogames e quadrinhos, o POLYSICS fez o mesmo com a música.
Publicação original de 15/03/2011.