Resenha de MISERY, de KUROYUME (avex trax, 2011). Nota: 6,0.
Avaliar uma situação como essa deve ser como passar um dia na pele do Dr. House. O diagnóstico já estava definido há meses. O KUROYUME sofreria do mesmo mal que aflige toda volta de banda clássica: nunca conseguir engendrar nada que possa ao menos ser comparado às obras de seus anos consagradores. Não é o primeiro caso e não será o último.
As músicas são corretas. A faixa-título tem um refrão que funciona e os b-sides — “Glory Hole” e “Paraphilia” —, apesar de legais, são daqueles que levam sua posição a sério: são só b-sides, no mais esquecível que essa característica possa significar. Qualquer um que conhece KIYOHARU e Hitoki sabe que estas canções passam longe do saudável.
É um lançamento agradável, mas os padrões são altos e só “agradável” é muito pouco para a banda que definiu e redefiniu muitas vezes o som de diferentes gerações do visual kei. Ter “for dear”, “ICE MY LIFE”, “Miss MOONLIGHT”, “BEAMS”, “Like@Angel” e mais uma imensidão de clássicos no histórico torna complicado competir consigo mesmo.
Eles estão de volta. O que é muito bom, mas o coração bate com dificuldade.
Talvez demore um pouco até a dupla entrar em boa forma. São tantos anos sem compor juntos... No meio tempo, enquanto não engrenam de vez, CDs passáveis como esse serão provavelmente lançados e devidamente condecorados pelos fãs mais afoitos.
Soa como o pessimismo do rabugento personagem de Hugh Laurie, mas quantas vezes você não viu essa mesma história?
Publicação original de 14/02/2011.