Resenha de VORTEX, de the GazettE (Sony Music Entertainment, 2011). Nota: 7,0.
A essa altura do campeonato, quem gritava para os quatro cantos que a banda era a pior do mundo já arrumou outro alvo ou passou a fingir que nunca gostou de visual kei. Já aqueles que os amavam por motivos extramusicais viraram massa de manobra para outra febre qualquer (o k-pop rende mais se você gosta de se deliciar lendo fanfics eróticos).
Então, o the GazettE pode finalmente ser julgado pelos motivos que deveria ter sido sempre: as suas canções. Não que isto possa curar sequelas do quadro acima.
Quem tiver parado de acompanhá-los em cinco ou seis anos não vai estranhar nada. Eles evoluíram como instrumentistas e a produção melhorou conforme a banda foi adquirindo mais prestígio. Mas, as músicas são essencialmente iguais, mesmo que não sejam propriamente ruins.
Mesmo que a voz de Ruki venha embalada por um suspeito auto-tune em “VORTEX”, o instrumental e os efeitos eletrônicos martelam aqueles mesmos cacoetes que eles regurgitam a cada lançamento. O gosto amargo de “já ouvi isso em algum lugar” permanece na boca durante a morna “UNCERTAIN SENSE”.
Essa repetição parece muito mais acomodação em um padrão garantido do que incapacidade musical, como fica claro na eficiente “BREAK ME”. Um grande refrão é sustentado por bons desempenhos individuais sem que a música perca o apelo comercial — vide o solo de guitarra.
No fim, o the GazettE continua o mesmo. Quem não gosta continuará sem gostar e quem gosta permanecerá gostando. Quem sabe daqui a uns cinco anos...
Publicação original de 25/05/2011.