Resenha de 5 Nengo no Sekai , de TOKUSATSU (KING RECORDS, 2011). Nota: 9,5.
Kenji Ohtsuki é famoso graças a sua trajetória na seminal banda Kinniku Shōjo-Tai. Porém, poucos sabem sobre a paixão do homem pela cultura pop. Na verdade, o Kinniku Shōjo-Tai era a banda perfeita e necessária para o Japão na década de 1980. Eles tinham as influências do Ocidente, com os solos e bases furiosas do heavy metal, mas agregavam informações de uma identidade essencialmente japonesa.
Edogawa Rampo, artes marciais, cinema, música tradicional e, principalmente, animes. Um otaku inverterado, Kenji criou até sua famosa maquiagem do corto no olho baseada em um desenho animado. Recebeu homenagens de volta, “Doko e demo Ikeru Kitte” afetou diretamente o design da personagem Rei Ayanami de Neon Genesis Evangelion.
Então, não foi nenhuma surpresa quando após a separação da banda, Kenji tenha mergulhado profundamente em todas essas características em outros trabalhos.
As referências pop tornaram-se figuras centrais do TOKUSATSU, um time que inclui figuras tão díspares quanto NARASAKI do COALTAR OF THE DEEPERS e o pianista Eddy Mishiba, sendo este 5 Nengo no Sekai o novo álbum da banda.
Uma cama de tendências avant-garde, tecida com aglutinações de jazz, rock progressivo e metal moderno, faz a base para as histórias contadas por Kenji. A faixa-título é TOKUSATSU clássico, Kenji berra as letras enquanto espasmos de melodias produzidas pelo piano adornam o instrumental pesadíssimo.
“RINGO MOGIRE BEAM!” e “MOBIUS Kōya~Zetsubō Densetsu EPISODE 1” são do tipo de música que só japoneses conseguem produzir: uma união louca de vozes de garotinhas e um refrão ultra-emocional. “Kiri ga Hareta Hi” tem vocais spoken word enquanto a banda, dedicada a trabalhar a favor do que está sendo falado, cria climas para ambientar o teor dramático da letra.
Com produção mais polida que os álbuns anteriores, 5 Nengo no Sekai segue a mesma trajetória que o grupo sempre investiu em um tracklist de alta qualidade. Além de agradar os fãs, ávidos por algum material novo desde o hiatus em 2006, serve como uma boa introdução ao trabalho da banda e ao próprio Kenji Ohtsuki.
Publicação original de 18/07/2011.