Resenha de VOICE, de Hiromi (Universal Music, 2011). Nota: 9,0.
Hiromi Uehara pode não ter transformado o mundo do jazz, mas conseguiu criar uma identidade dentro do estilo.
Teve a atenção disputada por figurões como Chick Corea e Stanley Jordan, lançou discos irrepreensíveis por toda uma década. A combinação da técnica exuberante com performances energéticas garantiu a menina uma vaga permanente na história do estilo.
Com temas longos e altamente improvisados, Hiromi parece querer justificar em seu novo álbum o porquê da aclamação. VOICE é decorado por desempenhos de tirar o fôlego, composições inspiradas e dinâmicas variadas.
Ela finalmente conseguiu realizar o desejo de gravar um CD completo com o baixista Anthony Jackson (ex-Steely Dan, Chick Corea), presente em alguns trabalhos da pianista.
O resultado da parceria musical pode ser claramente sentido com a individualidade que belíssimos temas como “Temptation” e “Beethoven’s Piano Sonata No/8.Pathetique” são interpretados. O contumaz ótimo trabalho do baterista Simon Philips (ex-The Who, Toto) realça essa cumplicidade.
A maneira como o trio trafega entre várias propostas com segurança impressiona. Observe os contrastes entre a divertida “Now or Never” e seus teclados malucos com a tensão pirotécnica de “Voice”. Eles parecem estar tocando juntos há anos!
Viajam por passeios emocionantes a cada minuto até convergir em “Haze”. Então, Hiromi se despe da banda e do próprio perfeccionismo para apresentar uma peça belíssima.
As composições e o apuro técnico dela combinados a presença de Jackson e Philips quebram todos os limites e convenções possíveis dum trio de piano, baixo e bateria. Para os puristas pode ser confuso ou inventivo demais, mas se o velho jazz tem alguma voz no século XXI, ela ressoa graças às mãos habilidosas de Hiromi.
Publicação original de 04/04/2011.