Olá, pessoal! Aqui quem fala é a Mii. Agora que saí do Tripnote, vou fazer uma pequena colaboração para o Pop Drops. A partir de hoje, vocês poderão acompanhar aqui na Rádio Blast! uma introdução ao universo k-pop. A maioria de vocês já deve ter ouvido este termo antes, mas podem não entender muito bem sobre o que se trata. Procurei mostrar no texto um pouco da história, polêmica e algumas explicações sobre a indústria musical coreana, dividindo o assunto por tópicos. Dê uma olhada no índice a seguir para não perder as próximas partes do artigo! Um agradecimento especial ao redator Vini Damazio, por ter sugerido o artigo, à DJ e redatora Ayuki e à minha amiga Nathally, pelas suas sugestões e revisões ao texto. Espero que vocês gostem!
ÍNDICE
- Primeira Parte:
-
- Introdução
- História da Música Coreana Contemporânea
- A Popularização em Outros Países
- Como Surgem as boybands/girlbands?
- As Condições de Trabalho de um Idol K-pop
- A Obsessão Pela Beleza
- Segunda parte:
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- Boicote Japonês aos Artistas Coreanos
- Censura pela Própria Coreia do Sul
- Popularização do k-pop no Brasil
- O Primeiro Grupo Coreano no Brasil
- Programas Musicais da Televisão Coreana
- Glossário
- Clipes Sugeridos
BIGBANG
Introdução
A palavra k-pop é a abreviação de Korean pop (em português, pop coreano) e é utilizada para definir a cultura pop coreana de um modo geral. Apesar disso, com o passar dos anos, a palavra passou a ser muito mais relacionada à indústria musical do que às outras áreas de entretenimento e, hoje em dia, é a própria denominação de um gênero musical que não tem um só estilo, mas todos. O que antes era ouvido apenas na Coreia do Sul é, hoje em dia, cultuado por inúmeros fãs ao redor do mundo. Este artigo vai ajudar vocês entenderem um pouco mais sobre o fenômeno k-pop.
História da Música Coreana Contemporânea
Seo Taiji & Boys
A origem da música pop coreana não tem uma data fixa, mas algumas fontes dizem que suas bases surgiram entre as décadas de 40 e 50. Depois da invasão nipônica, a Coreia do Sul recebeu fortes influências culturais daquele país, e uma das consequências foi a criação de um gênero musical conhecido como trot (do coreano teuroteu), cujas características principais são vozes bastante exageradas ou até mesmo forçadas, e ritmos/letras que se aproximam do piegas, apesar de nem sempre terem conotação romântica. Hoje em dia, o trot é mais popular entre os idosos, apesar de vários artistas coreanos ainda criarem músicas que seguem esse gênero.
No início da década de 70, surgiu um novo gênero musical chamado tong guitar. Fortemente influenciados pela música folk norte-americana da época (Bob Dylan, Joan Baez, dentre outros), a maioria dos artistas possuía carreira solo e se apresentava com um violão no melhor estilo country. Por ter surgido nas universidades, o tong guitar ganhou a fascinação de intelectuais coreanos. A partir dos anos 80, esse gênero mudou um pouco de face e passou a ser basicamente uma balada rock pra dormir, o que não agradou nem um pouco os críticos da época.
Aliado ao início do tong guitar estava o norae undong, que pode ser traduzido como movimento musical. O norae undong é creditado como um dos primeiros movimentos musicais de protesto da Coreia do Sul. Criado por movimentos estudantis da década de 70, as letras de bandas e artistas dessa corrente eram motivadas principalmente por conteúdos políticos e sociais.
A partir dos anos 90, a música coreana começou a tomar a forma que conhecemos hoje. Foi nessa época que as influências R&B, hip hop e eletrônica finalmente floresceram. Foi também na década de 90 quando as boybands tomaram seu lugar na grande mídia. Lugar esse que continua bem marcado até hoje.
A Popularização em Outros Países
O fenômeno hallyu, ou “onda coreana”, ganhou um grande número de adeptos ao redor do mundo, principalmente a partir de 2009, com o sucesso do videoclipe “Sorry Sorry” da boyband Super Junior. A coreografia, praticamente um viral na internet, foi gravada por inúmeros fãs estrangeiros e até mesmo por detentos de uma prisão na Indonésia. Foi justamente essa “promoção gratuita” que ajudou a espalhar ainda mais a música coreana em outros países. Mas, antes mesmo disso, alguns artistas coreanos já tinham uma vasta gama de fãs ao redor do mundo, como BoA, 1TYM, H.O.T e outros, principalmente graças à popularidade do jogo de dança Pump It Up, originário da Coreia do Sul e que continha inúmeras músicas de artistas do país. De qualquer forma, é importante saber que a verdadeira explosão do hallyu vem acontecendo de 2009 para cá, com a ajuda de redes sociais como Twitter e Facebook e, principalmente, YouTube.
Como Surgem as Boybands/Girlbands?
2NE1
Todo mês novos grupos musicais surgem para delírio das fangirls (e fanboys, por que não?). Mas de onde raios sai tanta gente sabendo cantar e dançar da noite para o dia? Na verdade, a coisa não é tão aleatória quanto parece. O treinamento de um idol dura meses ou até mesmo anos, e pode acontecer de três formas:
- O interessado se apresenta em uma agência de talentos, como a SM Entertainment, por exemplo, e paga aulas de canto e dança. Essas aulas não são baratas, mas o aluno ganha alojamento e alimentação. Vale notar que nem todas as empresas possuem esse tipo de treinamento “aberto” ao público. Digo aberto entre aspas, pois, antes de ser aceito, o candidato passa por uma espécie de prova prática. Se os instrutores acharem que ele tem potencial, então ele pode juntar-se à escola;
- Várias agências costumam realizar audições pela Coreia do Sul e até mesmo em outros países, como China, Tailândia e Estados Unidos. Numa espécie de American Idol, os participantes vão sendo selecionados aos poucos, e apenas os melhores são contratados pela agência, recebendo treinamento, alojamento e alimentação;
- O terceiro caso, mais raro, porém não impossível de acontecer, está relacionado ao trabalho dos “olheiros”. Essas pessoas são mandadas pelas agências a clubes, escolas ou lugares públicos para encontrar um novo talento. O membro do 2PM, Nichkhun, foi escolhido assim no seu país de origem, a Tailândia.
Milhões de wons (moeda coreana) são gastos por parte da agência no treinamento daqueles que têm grandes chances de trazer lucros à empresa. Claro que todo esse dinheiro é um investimento, e, no ato do contrato, as empresas podem colocar condições de trabalho bastante duvidosas aos artistas. Algumas dessas condições estão relacionadas principalmente a quanto o artista vai receber depois que “debutar” (estrear). E isso já foi motivo para vários processos e discussões na indústria musical coreana.
Na Coreia do Sul, existem inúmeras agências de talentos, dentre as quais podemos citar a SM Entertainment, YG Entertainment, JYP Entertaiment, Cube Entertainment, DSP Entertainment etc. Mas, ao contrário do que acontece no Ocidente, essas empresas comumente se unem. Seus artistas participam do mesmo programa e até fazem shows juntos. Um exemplo bastante recente disso foi o anúncio da criação de uma grande agência chamada United Asia Management, que seria composta pelas agências KeyEast, Star J Entertainment, SM Entertainment, YG Entertainment e JYP Entertainment. Com a criação dessa superempresa, será possível gerir um novo método de criação de conteúdos para o cinema, televisão, música e outras mídias, e também aumentar de forma qualitativa a promoção dos artistas em outros países, em especial no Ocidente. É uma forma de unir as cabeças mais “inteligentes” do mercado de um modo a ampliá-lo e, assim, trazer cada vez mais lucro para essas empresas.
As Condições de Trabalho de um Idol K-pop
SHINee
É de conhecimento geral que a indústria musical não é um conto de fadas e que você não vai ganhar milhões de reais só porque tem uma carreira de sucesso. Seja na indústria americana, coreana ou brasileira, muitos artistas submetem-se a contratos exploradores e pouco vantajosos só para terem a chance de lançar um CD, ganhar vários fãs e fazer shows.
A diferença é que, quando o assunto são os idol groups coreanos, parece que as condições são um pouco mais precárias. Na verdade ainda não divulgaram nenhum contrato na íntegra pra que as pessoas soubessem de fato quanto um artista k-pop ganha em cima de suas apresentações e gravações. Entretanto, sabe-se de alguns cantores que abriram processos contra suas agências devido a cláusulas pouco claras e até mesmo injustas. Um dos casos mais famosos, e que até hoje causa polêmicas, é o do grupo DBSK (também conhecido como Tōhōshinki ou TVXQ). Três de seus membros, JunSu, YooChun e JaeJoong, abriram um processo contra a SM Entertainment alegando que o contrato de 13 anos era ilegal e que a agência não estava dividindo os lucros devidamente entre os artistas. Pouco tempo depois, os três saíram e montaram sua própria boyband, chamada JYJ. Infelizmente, eles não foram os únicos a ter esse tipo de problema com a empresa. A SM Entertainment é reincidente em processos com pautas semelhantes, que alegam contratos ilegais e pagamento indevido. Depois da polêmica com o JYJ, outras agências procuraram expor partes de seus contratos na internet para mostrar ao público que elas não estão na ilegalidade, justamente pra impedir comparações com a SM Entertainment.
JYJ
O mais curioso é que, dentre dezenas de contratados, apenas uma pequena parte resolve “rebelar-se” contra a empresa. Isso nos leva a pensar: será que os contratos são realmente tão escravizantes ou será que os artistas envolvidos resolveram “vingar-se” da empresa como consequência de um calo pisado?
Livrar-se da SM, entretanto, não foi uma ideia tão boa assim para os meninos do JYJ. O grupo chegou a sofrer boicote dos próprios coreanos, sendo que alguns chegaram a dizer que eles não eram bem-vindos em território nacional por não serem bons representantes da onda hallyu. Isso sem contar as várias participações em programas de televisão que acabaram sendo canceladas, e outros empecilhos que eles encontram até hoje.
A Obsessão Pela Beleza
SNSD
Que os orientais possuem um ideal de beleza completamente oposto ao nosso, a maioria de vocês já deve saber. Na China e na Coreia do Sul, só para citar países influentes, quanto mais magra e branca, mais bonita é a mulher. Até aí, tudo bem, cada um com o seu gosto, não? O problema é que eles chegam a ser paranoicos em relação à beleza. Não é incomum encontrar jovens e até mesmo adolescentes que já tenham passado por cirurgias plásticas como aumento dos seios, lipoaspiração e, a grande obsessão oriental, pálpebras duplas, que dão um aspecto mais “ocidental” à pessoa.
Com os idols coreanos, isso tudo acontece em proporções ainda maiores. Justamente por estarem constantemente sob a mira da mídia, eles carregam a cruz da beleza perfeita e para alcançarem esse nível, submetem-se a cirurgias plásticas. A polêmica por trás disso é se os artistas são forçados ou não às modificações. Mesmo que não fossem, acredito que a grande maioria gostaria de passar por uma correção aqui e ali, pois se não forem “bonitos o suficiente”, mesmo que tenham talento, poderão sofrer ataques do público, em especial dos haters, nome dado às pessoas que odeiam um artista a ponto de usar todo tipo de artifício para denegrir sua imagem.
Siwon, da boyband Super Junior, considerado um exemplo da beleza masculina
As cirurgias mais comuns observadas nos idols são as pálpebras duplas, plásticas no nariz e correção dos dentes. Mas as cirurgias plásticas não são os únicos problemas. Para manter-se no peso, um artista precisa submeter-se também a dietas extremamente rígidas, o que muitas vezes é um problema, pois no meio de uma agenda cheia eles deixam de ingerir nutrientes que precisam e chegam até a passar mal no meio de uma gravação ou de um show. O mais interessante é que toda essa pressão cai principalmente em cima das mulheres. Dos homens não se exige tanto a magreza e a pele branca.
(Continua na segunda parte...)
Publicação original de 19/09/2011. 7 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.