Como prometido, vamos à segunda (e última) parte do nosso artigo “Introdução ao k-pop”! Muito obrigada pela participação, gente! Fiquei bem surpresa com a quantidade de comentários e discussões sobre o texto. Se alguém aí tiver sugestão pra outro artigo envolvendo a indústria musical asiática, deixa aí nos comentários pra gente ler, beleza? :) Vamos lá então!
Boicote japonês aos artistas coreanos
De uns tempos para cá, os japoneses têm presenciado a invasão da onda hallyu em seu país. Novelas coreanas estão preenchendo cada vez mais a programação das emissoras japonesas, e os grupos k-pop estão aparecendo cada vez mais nos iPods dos adolescentes nipônicos. A História também não é favorável, tendo o Japão invadido a Coreia do Sul algumas vezes nos séculos XIX e XX. Esse passado pouco amigável criou entre as duas nações certa tensão que, amenizada por questões éticas, volta à tona quando um dos dois países se sente ameaçado, seja política, econômica ou culturalmente. O Japão, vendo o sucesso dos produtos culturais coreanos no seu território, não gostou nem um pouco e começou a apertar o laço para o lado da censura e até mesmo na concessão de vistos.
Uma manifestação com seis mil pessoas aconteceu em Tóquio no dia 21 de agosto de 2011, em protesto à popularização da onda hallyu, sendo que, no dia 7 de agosto, um protesto já tinha acontecido na mesma cidade, com 2500 manifestantes. Os números podem parecer poucos expressivos, mas, se pararmos para analisar, da primeira para a segunda manifestação, houve um crescimento de 140% no número de participantes. Se outros eventos acontecerem e o número de pessoas que apoiam a onda anti-hallyu continuar aumentando, então os produtos culturais coreanos terão cada vez mais rejeição no Japão, até o ponto de serem completamente boicotados.
Só para citar outro exemplo, as boybands CNBLUE e B2ST chegaram a ter vistos negados pelo governo japonês para apresentações no país, e o grupo JYJ também teve performances ao vivo canceladas. Esses casos podem estar meramente isolados no meio de tantos outros que correram bem, mas os motivos das negações quase nunca são de fato esclarecidos ao público. Isso pode ser fruto do início de uma perseguição aos artistas coreanos, como também pode ter sido consequência de meros problemas burocráticos.
Censura pela própria Coreia do Sul
Lee Jung Hyun ou “AVA”
De 2009 para cá, um grande número de músicas e videoclipes tem sido banido das rádios e televisões sul-coreanas. Fala-se em cerca de 2600 músicas que entraram na mira da censura nesse período, e o responsável por esse trabalho sujo é o Ministério da Igualdade de Gênero e Família, que desde sempre censura trabalhos que possam apresentar conteúdo perigoso para as crianças ou para as morais da sociedade. Alguns deles são completamente banidos da mídia, outros têm exibição proibida em certos horários e suas vendas são controladas apenas para maiores de 19 anos.
A maioria dos artistas e seus fãs é contra essa censura exagerada do governo sul-coreano e, com razão, chegam a fazer comparações como “Se vocês censuram essas coisas bobas nas músicas, então deveriam proibir a internet para menores de 19 anos também!”. Algumas músicas que já foram censuradas pelo Ministério:
- T.O.P – Turn it Up
- TVXQ – Mirotic
- SeungRi – Strong Baby
- Lee Jung Hyun – Suspicious Man
- G-Dragon – She’s Gone
- B2ST – On Rainy Days
Popularização do k-pop no Brasil
Aqui no Brasil, a onda hallyu explodiu com o videoclipe “Sorry Sorry”, da boyband Super Junior, em 2009, graças principalmente ao YouTube e às redes sociais como Facebook, Twitter e Orkut. A partir daí, um público cada vez maior viu as possibilidades da indústria musical coreana e passou a conhecer cada vez mais artistas do país. A onda aumentou ainda mais com o lançamento de outras músicas, como “Gee” (SNSD), “Bonamana” (Super Junior), “Lucifer” (SHINee) e “Gara Gara Go” (BIG BANG).
Hoje em dia, existem no Brasil inúmeros grupos cover de boybands e girlbands coreanos. A lista é tão extensa que foi criado um site para catalogar todo mundo: o The Kpop Covers. Lá é possível encontrar uma divisão por região, estado e os respectivos endereços eletrônicos. O fenômeno se expandiu tanto que lojas online foram abertas para facilitar o acesso aos produtos das bandas, que são todos importados. Algumas dessas lojas que valem a pena ser consultadas são a JellyBerry e a Hato Brazil. Isso tudo sem contar os eventos e baladas que acontecem no Brasil a fora, como a festa Push Pop no Rio de Janeiro. Algumas emissoras brasileiras, como a MTV Brasil e a RedeTV!, já chegaram a exibir várias matérias sobre o k-pop, inclusive com exibição de videoclipes, nos programas Top Mundi e Leitura Dinâmica, respectivamente.
Atualmente, um dos assuntos que mais rendem nos círculos de conversa dos fãs brasileiros de k-pop é uma possível realização do evento SM Town Live no país. Para quem não sabe, o SM Town Live é um grande concerto organizado pela agência SM Entertainment com todos os seus grupos. De 2010 pra cá, a empresa tem feito algumas edições em cidades estrangeiras, como Paris, Los Angeles, Xangai, Tóquio e Nova Iorque. Todos estão apostando fervorosamente em um SM Town Live in Brazil para 2011 ainda (os mais otimistas) ou então em 2012.
O primeiro grupo coreano no Brasil
MBLAQ
No dia 18 de agosto de 2011, a agência J. Tune Entertainment confirmou a vinda da boyband MBLAQ ao Brasil como jurada na fase brasileira do concurso mundial de covers “2011 K-Pop Cover Dance Festival”. Vários fãs brasileiros de k-pop, então, se juntaram para receber o grupo no aeroporto e para o evento em si, que ocorreu no dia 7 de setembro de 2011. A maioria, mesmo não sendo fã do MBLAQ, foi para fazer peso e, quem sabe, conseguir trazer os seus grupos favoritos para o Brasil. A recepção foi um sucesso tão grande que precisaram fechar a rua do hotel em que o grupo ficou hospedado, pela quantidade de gente que tinha lá. Após alguns rumores de um SM Town Live in Brazil, dentre outros shows k-pop no país, pode-se considerar essa vinda do MBLAQ ao Brasil como uma espécie de “termômetro” que as agências estão usando para medir a popularidade do gênero no país. Esse episódio foi um sucesso absoluto. Já no aeroporto sul-coreano Incheon, o grupo afirmou que cerca de seis mil fãs compareceram ao evento, e que esse número é muito superior ao estimado pela produção, o que comprova a popularidade da onda hallyu no Brasil.
Programas musicais da televisão coreana
Super Junior no programa Inkigayo, da emissora SBS
A televisão coreana é bem recheada de programas musicais, onde os artistas fazem seus comebacks e débuts. Mas, como tudo na indústria musical sul-coreana, esses programas também estão enfrentando uma polêmica atualmente. Há alguns meses, vieram à tona histórias de que as emissoras estariam propondo contratos de gosto duvidoso para que os artistas aparecessem nos programas musicais. Por exemplo, digamos que você faz parte de um idol group que está lançando um CD novo e gostaria de se apresentar em um programa musical para fazer a divulgação. De acordo com a polêmica, a emissora iria dizer que sim, você pode participar do programa, desde que participe também de x outros programas de auditório e variedades daquele mesmo canal. Até que ponto é válido aproveitar-se da fama de determinados artistas para garantir audiência?
Outra polêmica envolveria o fato de que os idols, devido ao contrato com a agência, seriam obrigados a participar de determinados programas sem ganhar um centavo por isso. Mas aí entraríamos naquela discussão do contrato supostamente escravo, e isso daria pano para muita manga. O fato é que nem todos os grupos conseguem aparecer nos programas musicais, porque existe uma preferência óbvia por aqueles com mais tempo de carreira, e mais sucesso no histórico. Sim, isso significa que os grupos novos praticamente não conseguem espaço na mídia, a menos que tenham um ótimo QI (Quem Indique).
Os programas musicais mais famosos da televisão coreana são (em ordem aleatória): Inkigayo, da emissora SBS; Music Bank, da KBS; Music Core, da MBC; e o M! Countdown, do website M.net.
Glossário
Alguns termos bastante utilizados no universo k-pop podem parecer estranhos para quem não está acostumado. Vamos tentar ajudá-los com a lista a seguir:
- Comeback: Lançamento de um novo material, seja CD, DVD ou Single.
- Début: A estreia de um grupo ou de um artista solo.
- Hallyu: Traduzido como onda coreana, é o termo usado para caracterizar a invasão da cultura coreana ao redor do mundo.
- Maknae: Nome dado ao membro mais novo do grupo.
- Rookie: Nome dado aos grupos/artistas que surgiram recentemente e que ainda não estão consolidados no mercado.
- Sunbae: Nome dado ao mais velho do grupo.
Clipes sugeridos
Super Junior - Mr. Simple
BIGBANG - Tonight
TVXQ - Keep Your Head Down
2NE1 - Ugly
SNSD - Run Devil Run
Sites utilizados durante a pesquisa pro artigo:
- 10 Asia
- Asian Correspondent
- Censorship in America
- allkpop
- Daily K Pop News
- IPC Digital
- SeoulKoreaAsia.com
- SMTOWN
Publicação original de 24/09/2011. 3 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.