Resenha de Ai to Hate, de Nana Kitade / Loveless (Spark&Shine, 2011). Nota: 8,5.

Acho que todos aqui têm uma ideia mínima de quem é Nana Kitade e o que ela faz. Então, agora, jogue-a no lixo. Loveless é o nome de sua nova banda com TAIZO (ex-guitarrista da banda de visual kei FEEL). Antes de falar mais alguma sobre este single, eu vou enumerar os artistas ‘amigos’ da banda no MySpace: Cocteau Twins, Portishead, Queen Adreena, Sonic Youth, Einstürzende Neubauten.

OK, você pode ter se assustado. Porém, Loveless é a maior ousadia que Kitade já fez em sua vida. Ela sempre teve um gosto por experimentalismo, mas Ai to Hate é chocante.

“Swallowtail” e seus riffs chupados de “Tainted Love” (é, aquela que ficou famosa na versão do Soft Cell) e a faixa-título foram injetadas com doses de cinismo, sarcasmo e loucura, sem nenhuma preocupação com a forma que a música pop necessita para ser comercializada. Não é surpreendente o miniálbum só ter sido lançado por uma pequena gravadora alemã.

Kitade usa todo o seu domínio vocal de maneira quase inconsequente junto ao terrorismo sônico promovido pelas guitarras e programações eletrônicas de TAIZO seja na atmosfera pesadamente psicótica de “Jabberwocky” ou nos espasmos de candura de “Gensōmamire”.

Em “Snow Hell”, a banda descamba para o escapismo melódico de quem passou muito tempo ouvindo os discos psicodélicos do Boris.

Dotado de uma virulência desesperadamente caótica, Ai to Hate, além de extremamente curioso, ganha qualidade à medida que cada audição atenta se sucede. Os fãs mais ortodoxos talvez odeiem esse disco, o que por si só já é um bom sinal...


Publicação original de 26/06/2011.

Compartilhar
Comentários
0 comentários