Resenha de John Travolta Wannabe, de T-ara (Core Contents Media, 2011). Nota: 6,5.
Em tese, tentar se lançar em um mercado de outro país é uma missão difícil, muitas vezes de sacrifício e mudança de identidade para artistas que almejam alcançar magnitude de primeira grandeza. Levando isso em consideração, é impressionante o cuidadoso trabalho gráfico da invasão nipônica das meninas do T-ara.
Com inspirações de Os Embalos de Sábado à Noite, o nostálgico John Travolta Wannabe recria toda a atmosfera e estética da época. Não se limitando ao encarte do lançamento, as belíssimas fotos de divulgação e até as coreografias também remontam a toda subcultura disco dos anos 70.
Só que as surpresas acabam aí. As músicas estão na média do que é produzido por outros grupos coreanos massificados. Todas vêm embaladas naquele gasto e esgarçado embrulho de electro-pop dançante.
“Roly Poly” e “Jinjja Jinjja Joahae” (as únicas que não são remixes) até se dão um pouco melhor, graças aos seus arranjos mais condensados, mas é imediata a sensação de “já ouvi isso em algum lugar” — e já não era impressionante antes.
Faltou a coragem e ousadia do consistente trabalho visual na composição das canções. É uma pena que um projeto consideravelmente ambicioso tenha resvalado na rasteira intenção de emular toda a cartilha sonora da produção quase industrial do mainstream coreano recente.
Publicação original de 01/07/2011.