Resenha de Beautiful Freaks, de MERRY (FIREWALL DIV., 2011). Nota: 9,5.
Parece que o inseto da agressividade, que já contagiou tantas bandas nesses últimos anos, fez uma nova vítima. Os sintomas em Beautiful Freaks são os diagnosticados nos outros casos: afinações baixas, guturais e riffs herdados do metal moderno.
A verve punk dos últimos discos do MERRY, especialmente under-world, foi amansada em favor dum peso nunca antes explorado na carreira da banda. Os gritos de Gara e os backing vocals urrados em algumas faixas como “Skull” ou “The Cry Against ME” assustarão quem é ouvinte casual do grupo.
Apesar do susto inicial quanto às doses cavalares de testosterona injetadas no som, este é o CD que mais se aproxima de álbuns antigos tão amados por fãs que pareciam ter perdido o interesse pelo MERRY com o passar dos anos. Aquelas melodias jazzy de Modern Garde pulsam livres mesmo nas faixas mais densas — a trinca inicial “finale”, “MONOCHROME” e “ZAAZAA” já entrega o resgate.
Sem desacelerar os andamentos velocíssimos impostos por Nero, exemplo de baterista que nunca recebeu a aclamação que merece, eles calcam as composições em cima de refrãos agitados e memoráveis. Tente ficar parado ouvindo “Shodōko” ou “IDENTITY”. “Zetsubō” é clássico imediato!
Beautiful Freaks deve resgatar antigos apaixonados e satisfazer os aficionados de sempre. Apesar dos habituais bons lançamentos, poucas vezes o MERRY conseguiu condensar todas as facetas do grupo e dar espaço para novidades tão bem. Quando eles acertam em cheio nessa mistura, os resultados são inesquecíveis.
Publicação original de 01/08/2011.