Resenha de 37564, de SEX MACHINEGUNS (EXELLEX, 2011). Nota: 10,0.
Quando comecei a ouvir, exclamava sonoros ‘puta que pariu’ a cada riff e solo disparado. Na segunda vez, algumas músicas já soavam familiares. Voltei a ouvi-lo e comecei a achar que este era mesmo um grande CD. Lá pelas tantas, já berrava cada refrão feito um louco. Pobres vizinhos...
Embora 45do e CAMERON tenham sido álbuns legais, 37564 é o SEX MACHINEGUNS no auge da contundência. ANCHANG tratou de chutar a bunda de todas as viúvas de formações antigas da banda com um argumento simples: ótimas composições. Até inovações bem sucedidas ele conseguiu enxertar no som da banda.
Um exemplo mais evidente disso está na faixa que dá nome ao lançamento, mais cadenciada que o normal para a banda. Uma simbiose de novidades misturada ao estilo das pauladas mais velozes do disco MADE IN JAPAN.
Em “MACHINEGER A NO THEME”, a banda desfila um tema pesadíssimo em tributo à própria história, com levadas à beira da perfeição do baterista KEN’ICHI. Já “YELLOW TUBE” é daqueles terrorismos sônicos com refrão marcante que o ANCHANG costuma cravar em cada lançamento. De quebra, uma versão ao vivo nervosa de “DEATH GAME”, faixa do último álbum.
Não se engane com a capa ‘qualquer nota’, 37564 é dotado de uma virulência que a banda não apresentava desde 2006. Caos, cinismo, ironia e até doses de ousadia. Tudo numa produção caprichada em comemoração aos vinte anos de carreira.
ANCHANG ainda tem muito que nos ensinar no que se refere à inquietude. O cara acabou de dar às costas para qualquer envolvimento com gravadoras, preferindo resolver tudo da banda ele mesmo num selo menor. Prova, com ótimas músicas a tiracolo, que não há qualquer sinal de estagnação e cansaço no seu caráter. Discaço!
Publicação original de 23/03/2011.