Acreditam em sonhos? Se não acreditam, passem a acreditar, porque foi de um sonho que surgiu a Personae. Mas claro que não basta apenas isso. Você deve lutar e se esforçar para que o que você quer, de fato, aconteça.
Abaixo, conheça um pouco da história da editora:
Há muitos anos atrás, um grupo de jovens — nem crianças, nem adultos que compartilhavam do mesmo amor por mangás e animes, decidem unir forças para criarem seus próprios mangás. Criaram, então, uma história em que cada personagem representava um integrante do grupo e assim sonharam por muito tempo. Alguns desenvolveram seus talentos com escrita, outros se tornaram bons desenhistas e outros ainda, desenvolveram outros talentos. Por fim, cada um partiu para seu caminho, alguns se casaram, outros desistiram de seus sonhos e outros se tornaram ocupados demais para sonharem com mangás.
Após muito tempo, eventualidades trouxeram alguns daqueles amigos de volta, não com a proximidade de antes, mas com força suficiente para despertar os sonhos esquecidos. A partir daí uma nova idéia surge com uma nova determinação e com a experiência que aqueles jovens não possuíam anteriormente. Porém a experiência e a maturidade implicaram em novos interesses, que por diversas vezes entraram em oposição, provocando divergências e separando novamente aqueles amigos.
Então tudo parecia terminado, dificilmente aqueles amigos voltariam a reunir-se e o sonho parecia perdido no passado. Mas um deles manteve esse sonho vivo dentro de sua mente e unindo-se a novos amigos em uma mesa de bar com o álcool das cervejas afastando seus medos e encorajando seus desejos, eles decidiram pensar grande e tornar o impossível em algo viável. A partir daí, aqueles três homens passaram a compartilhar do sonho de mudar o mercado brasileiro de histórias em quadrinhos, unindo idéias do oriente com a determinação do ocidente para criarem a Editora Personae.
Entrevistei o editor Fernando Artur Mariano, e você confere a entrevista a seguir:
1. Para começar: Por que escolheu este nome para a editora?
É coisa de gente viciada em RPG, e porque os três sócios se juntaram por conta de um projeto chamado Faces, então a gente queria manter essa identidade de “rostos”, daí lembramos de Shin Megami Tensei: Persona e pensamos “por que não colocarmos Persona?!”, mas como achamos que era meio plágio e usado demais, nosso entendimento de latim sugeriu o plural, que é Personae.
2. Já publicaram algum mangá? Se não, qual será o primeiro e quando ele será lançado?
Ainda não, publicamos apenas um teaser com uma capa provisória e três páginas do primeiro capitulo de Shige-Kun Adventures. Estamos em fase de desenvolvimento. Há alguns mangakás desenvolvendo histórias e estamos dando assistência a eles. Estamos com previsão para lançarmos no início de março deste ano, mas só iremos publicar mesmo quando tivermos histórias prontas e com qualidade pra que ninguém desperdice seu dinheiro!
3. Acha que vai atrair públicos mais jovens, mais adultos ou todas as idades? Por quê?
No começo, a revista vai focar o público entre 15 e 25 anos, mas, com o tempo, pretendemos dividir a revista em várias para abranger todas as faixas etárias. Atualmente nós iremos evitar publicações com erotismo ou coisas ofensivas demais, será uma revista com mangás shōnen e shōjo típicos!
4. Quais são as vantagens e as desvantagens de ser editor? Por quê?
Bom, as desvantagens são iguais às vantagens, se for pensar bem. Sendo editor, sou encarregado de selecionar os trabalhos que serão publicados, então a qualidade da revista depende diretamente do meu bom senso... Então, se a revista vender bem, é bom pra mim e bom pros desenhistas, mas se vender mal, a culpa é toda minha! Além de que acabo me expondo ao público, me torno conhecido e conheço muitas pessoas, o que me permite fazer muitas amizades... O ruim disso é que acabo perdendo bastante da minha vida privada.
5. O investimento inicial pra uma editora é muito alto?
Estamos pensando em uma tiragem de 100 exemplares pra primeira publicação, e a estimativa pra isso, considerando um pagamento no nível de um salário mínimo pra cada um dos envolvidos, dará um custo de R$ 2.000,00. Somando isso a outros custos administrativos e pra propagandas, dará uns R$ 2.500,00 ou R$ 3.000,00 de investimento inicial!
6. Que tipo de profissionais uma editora necessita para fazer um mangá?
O mínimo é um mangaká e um editor, em que o mangaká faz toda a produção do mangá, com o auxílio das opiniões e conselhos do editor e o editor usa seu ninjutsu para se multiplicar em diagramador, administrador e vendedor pra poder transformar o manuscrito do mangá em uma publicação!
No caso, estamos trabalhando com três pessoas: um desenhista, que cuidará do estúdio e da formatação do material; um roteirista, que cuidará também das questões burocráticasl e um editor, que cuidará das vendas, marketing e administração!
7. Trabalhar em uma editora interfere muito na vida pessoal? Por quê?
Trabalhar numa editora não interfere, é um emprego como outro qualquer, mas quando você cria uma empresa em que a imagem e a divulgação são importantes, a vida pessoal fica bem comprometida. Primeiro porque não tem muito tempo pra relaxar com a família ou ficar em casa, sempre tem um encontro ou festa pra ir, e, em segundo lugar, muitas pessoas prestam atenção no que a gente está fazendo, e se aprontamos alguma coisa, logo todo mundo sabe. Tanto que desisti de tentar esconder quando saio com alguma garota ou exagero na diversão, todo mundo sabe quem é a pessoa ou qual foi a besteira que aprontei... É como se eu sempre estivesse andando nu na rua!
8. O que é preciso fazer, em termos de nível superior, para ser um editor?
Na verdade, não sei muito bem o que um editor precisa pra isso. Acredito que cursar algum curso de design, marketing ou administração vai ajudar bastante no currículo, mas o que conta mesmo é ser um aficionado por mangás e ter um bom senso crítico pra avaliar os talentos dos artistas. Eu mesmo não sou um bom exemplo, já que desisti da minha faculdade no último ano pra me dedicar à editora.
9. Vocês escolhem as histórias de algum escritor, ou vocês mesmo criam suas próprias histórias?
Temos uma história escrita por nós e o restante é aberto para a publicação de desenhistas que se interessarem e tiverem um bom material para ser publicado. Simplificando, os artistas entram em contato conosco, nós avaliamos o que eles possuem e se é interessante publicarmos na revista ou não.
10. O que você considera mais importante em um mangá: a história ou a qualidade das ilustrações?
A qualidade das ilustrações é importante, porque nos mangás é essencial passar o máximo possível da história através dos desenhos, mas o roteiro é fundamental para que a história tenha público. Afinal, se fôssemos pensar em desenhos legais, publicaríamos uma revista de ilustrações!
11. Que dica você dá para aqueles que pretendem seguir esse mesmo caminho?
Não existe mangaká ruim, tudo é questão de esforço e bom senso. Se você não desistir e tiver garra, um dia você será reconhecido. Tudo depende de não ter preguiça e ter paciência com as chatices de um editor, porque pegar no pé pra arrancar o melhor é o que fazemos!
Obrigada! Continuem fazendo um ótimo trabalho e conquistando cada vez mais público. Afinal, o principal vocês já conseguiram: Personificar Sonhos.
Assim espero! Eu é que agradeço pelo interesse nas nossas ideias! :D
Para saber mais, acesse a comunidade no orkut.
Publicação original de 07/02/2011. 3 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.