Resenha de DIFFERENT SENSE, de DIR EN GREY (FIREWALL DIV., 2011). Nota: 8,5.
Mesmo figurando numa provável lista de músicas mais pesadas da banda, “DIFFERENT SENSE” segue um formato mais convencional que as inéditas lançadas nos singles anteriores. Enquanto “Hageshisa To...” e “LOTUS” corrompiam padrões duma canção comum, a faixa-título deste lançamento baseia-se num sistema implícito que facilita a assimilação.
É a velha evolução ‘riff + parte A + parte + refrão’ que eles romperam nas músicas citadas e provavelmente também romperão no futuro álbum DUM SPIRO SPERO. Dessa vez, as surpresas são outras.
Kaoru e Die disparam solos surpreendentes. Enquanto toda a banda parecia em um constante aprimorar técnico, a dupla tinha se fixado em um estilo, só explorando-o com a ajuda de efeitos ou novos instrumentos. Agora também conjugam o melhor dos dois mundos.
“DIFFERENT SENSE” também é assim matizada: o lado doce dos refrãos melódicos e espamos acústicos somados a agressividade cavalar do instrumental pesadíssimo. A voz de Kyo — tão instrumento quanto bateria, baixo ou guitarra — parte de guturais gravíssimos para recuar na emoção mais visceral.
A banda perde esse bom balanceamento no exagero “Tsumi to Kisei”, mais uma das recriações do passado, desta vez originária do álbum de estréia, GAUZE. Em marcha lentíssima, se contentam a esmurrar e ensurdecer num processo semelhante ao que fizeram em “WARSAW No Gensō”, no tributo ao genial Michirō Endō.
Uma versão ao vivo da ótima “RED SOIL” gravada no NAMBA Hatch no fim do ano passado mostra como os japoneses às vezes se comportam como ocidentais em shows.
O DIR EN GREY tem sido uma voz ímpar nesta profissão repleta de ‘artistas-publicitários’ e lugares-comuns. Essa prática de mutação constante faz das músicas da banda, se nem sempre as amadas, as mais instigantes. Ninguém vai ou precisa gostar sempre — aliás, quanto mais acalorado for o debate maior é a certeza de que a banda está continuando seu trabalho.
Publicação original de 20/06/2011.