DIR EN GREY e seus álbuns nunca passam desapercebidos
Mesmo que você já não goste da banda há um bom tempo...
Uma resenha meio atrasada, mas vamos lá. Eu quero ser legal e compreensivo e dizer que esse álbum tem um tipo de som bem fora do convencional e direcionado a um público bem específico. Assim, naturalmente, é mais apropriado que o disco seja avaliado por quem está acostumado a esse tipo de som, inserido neste contexto. Uma pessoa mais entendida do assunto. Mas, de qualquer maneira, o disco me foi recomendado. Então o avaliarei eu mesmo, um cara acostumado a ouvir alguns tipos diferentes de rock e pop, orientais e ocidentais.
Perdoem, mas não sei como colocar de uma maneira delicada... Esse álbum, na verdade, é muito ruim. Mesmo que eu me esforce pra ser compreensivo quanto à proposta do disco, não consigo deixar de pensar que pra fazer um som pesado, agressivo e alternativo não seja necessário criar canções com vários momentos repetitivos e sem criatividade.
Não quero dizer que não tenha nada de bom. Existem momentos, surtos de criatividade em que a banda consegue combinar elementos como uma boa melodia, uma cadência harmônica legal e riffs interessantes durante alguns segundos, como no solo de guitarra de “DIFFERENT SENSE” e uma ponte de “LOTUS”. Mas são poucos. E talvez algumas outras faixas também tenham momentos assim, mas eu não me lembro. Até porque é muito difícil ouvir o disco inteiro, devido à enorme quantidade de barulho e partes entediantes. Mesmo pra ouvir, numa primeira vez, ele completinho, foi muito, muito difícil ouvir tudo sem pular pelo menos alguns pedaços das músicas mais longas.
“Músicas mais longas” me lembra, aliás, que esse álbum tem umas duas ou três músicas com cerca de 9 minutos de duração. É de se imaginar um trabalho digno de um Pink Floyd metaleiro da vida. Mas essas músicas mais longas do disco representam muito bem algo que encontramos não somente nelas, mas também em várias outras faixas do disco: um amontoado de riffs quaisquer e berros aparentemente sem sentido jogados juntos numa coisa estranha que a banda resolveu chamar de música.
Os berros são um capítulo a parte. Primeiro que, pra mim, gritar que nem louco qualquer um pode. Cantar bem é outra história. E também, todos esse gritos e sons estranhos que o Kyo emite parecem mais uma sátira do próprio Kyo e do DIR EN GREY. É tudo bem estranho e não soa sério. Mas não me levem a mal. Hoje em dia, eu provavelmente também pensaria o mesmo sobre os trabalhos de boa parte das bandas que usam vocal gutural, gostam de fazer pose de mauzinho, etc.
O ponto principal de tudo isso é: além do estilo atual do DIR EN GREY não ser muito bom, a fonte secou. Tenho uma teoria de que bandas japonesas não conseguem produzir muitas músicas legais por muito mais do que uns dez anos. O DEG e seu “DUM SPIRO SPRERO” são mais evidências pra ela.
Bônus: O novo clipe de “ZAN”
Eu nunca gostei da versão antiga da música. Achava uma barulheira boba. Mas vocês acreditam que eu gostei da versão nova, lançada em 2009 no single “Hageshisa...”? Achei que a música combinou direitinho com esse estilo metalzão atual do Dir. E talvez também tenha curtido porque, além disso, é uma música que me remete a uma época antiga e com várias coisas mais legais do que hoje em dia.
O clipe antigo eu sempre achei muito legal. Foi o primeiro clipe de visual kei que vi na vida. Me passaram e não avisaram o que era. Tomei um susto quanto abri o vídeo. Achei chocante e fiquei realmente impressionado. É uma edição muito louca de imagens... como posso dizer? Imagens completamente drogadas — no sentido legal de ser algo muito louco! Isso tudo combinado ao som resultou em algo que é impossível de deixar qualquer expectador imparcial, creio. Alguma opinião teria que ser emitida por qualquer um que o assista, nem que seja achar tudo aquilo horrível. Eu sempre achei muito bacana!
Aí agora a banda soltou esse videoclipe da versão nova. É engraçado, porque eu prefiro a versão nova da música, mas o vídeo novo não tem comparação com o antigo. Parece, na verdade, uma versão relaxada do velho, com uma edição bem mais pobre e um chroma key de segunda categoria.
Mantém o padrão triste no qual se encontra uma banda outrora muito interessante.
Publicação original de 16/08/2011. 1 imagem desta publicação não sobreviveu à migração de 2013.