Resenha de Kami-sama, Disco ni te Datenshi, de Minus Jin-Say Orchestra (sukima-dou records, 2011). Nota: 4,0.

Séculos atrás, quando os dinossauros ainda habitavam a terra e Gengis Khan empinava pipa no Himalaia, seres com tecnologias de menos e pelos a mais que os dias metrossexuais de hoje tinham o hábito de ir a lojas de CDs.

Reza a lenda que, décadas antes, música era consumida em discos pretos enormes lidos pelo contato de uma agulha!

É, meus amigos, a coisa era diferente. Pobres mortais, como este que vos escreve, tinham o hábito de frequentar esses templos sagrados, expelindo quantidades abissais de uma baba bovina e viscosa a cada pérola importada daquela banda underground do Quirguistão. Com certeza, Kami-sama, Disco ni te Datenshi seria mais um desses casos de albinismo mental.

A arte da capa, de importância fundamental para o despertar da atenção por esses tempos, já é curiosa: Jesus com braços por todos os lados num fundo rosa e preto. Não dá nem para saber do que se trata. Seria uma banda white metal gay vinda do Japão?

Na verdade, o Minus Jin-Say Orchestra une o bate-estaca eletrônico com melodias e harmonias tradicionais do visual kei. O grupo soa como uma versão mais electro do Kibouya Honpo, banda antiga de Haru, faz-tudo do MJO.

“High-Technology Sub-Culture”, “Saibōgu 005” e boa parte do miniálbum não primam lá por nenhuma originalidade. Milhões de grupos aparecem por ano com propostas parecidas no Japão. Ao menos, serão divertidas para ouvintes menos exigentes.

Destoando, os ventos do cali∦gari sopram forte nos pouco mais de dois minutos de duração de “Tobenai onna sono ato”, tornando-a definitivamente a melhor de todo o tracklist.

Kami-sama, Disco ni te Datenshi não é lá um grande CD. Mas, a audição valeu pelo simples impulso de curiosidade causado pela estranheza da banda.

Sabe, como nos velhos tempos...


Publicação original de 10/04/2011.

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