Depois de alguns meses em Pequim passando por restaurantes, metrôs e ambientes coletivos diversas vezes, eu acabei percebendo algumas peculiaridades dos nacionais. Por exemplo, a quantidade de comida que eles pedem em restaurantes é quase sempre muito mais do que eles conseguem comer. Às vezes você vê um casal no Pizza Hut pedindo salada, entrada, macarrão, pizza, sobremesa, chás etc. pra, no final das contas, sobrar no mínimo metade disso aí. Daí eles acabam pedindo pra levar o resto pra casa ou simplesmente deixam na mesa e vão embora. Eu até iria preferir se eles levassem pra casa mesmo, porque aí no metrô não teria o fedor do miojo deles! É porque internet não passa cheiro, mas se vocês soubessem como o miojo chinês fede, iriam respeitar muito mais o nosso Nissin hahahaha. E não é só o miojo, não; na culinária chinesa, 90% dos pratos têm um cheiro insuportável e nem de longe lembram aqueles que nós comemos no Brasil.
Mas peraê, talvez vocês tenham achado estranho: miojo no metrô?? Pois é! Aqui é muito comum levar comida na bolsa, desde bolinhos até milhos e um miojo em potinho (a garrafa térmica com água quente sempre por perto também). Às vezes a pessoa não tem tempo de comer na rua e resolve abrir aquele manjar no metrô. Fede o vagão inteiro, sem exageros.
Falando em transporte público, outra coisa comum de se ver é gente dando lugar pra idosos, mulheres com bebês e crianças pequenas no metrô/ônibus. Claro que sempre tem aquele esperto que finge que tá dormindo, mas a grande maioria levanta na hora pra pessoa sentar. Às vezes vários levantam ao mesmo tempo! Mas, por outro lado, o metrô é a prova mais fiel de que não existe fila na China. Ou melhor, em Pequim, porque em Xangai eu já vi! É uma coisa linda, sempre aparece um engraçadinho entrando NA FRENTE de todo mundo! E o pior é que ninguém fala nada. Imagina um desses na estação da Sé em São Paulo?
Eles podem até ser “quietos” no metrô, mas se você estiver tirando uma foto na cidade, provavelmente vai aparecer um chinês atrás de você pra ver como tá saindo a foto. Os mais saidinhos dão até palpite! E outros também tiram foto daquilo, mesmo que seja uma coisa absurda tipo a tampa do esgoto. Já aconteceu comigo de ter tirado a foto de uma luminária que não tinha nada de mais, e de repente chegou um chinês pra tirar a mesma foto! Isso quando não tiram DA GENTE. Estava passeando em Xangai com um amigo quando brotou do chão uma chinesa que ficou do lado dele e de repente a amiga dela já tava tirando foto dos dois. Oi? Vai entender, né?
Aliás, uma vez alguém me perguntou aqui no blog como são os relacionamentos chineses. E agora eu tenho uma resposta concreta pra dar, pois já observei bastante isso também. Bom, é muito comum ver os casais abraçados, namorando, tanto na rua quanto no metrô. Aliás, a maioria das chinesas é bastante melosa e fica fazendo vozinha aguda pro namorado, que deve achar uma graça, né? Mas não é tão comum assim vê-los se beijando. Já vi um ou outro, mas é bem raro mesmo. No dia dos namorados (dia de São Valentim, como é comemorado nos Estados Unidos), vários chineses carregavam buquês de flores na rua, provavelmente indo ao encontro de suas amadas. Pelo jeito que eles se tratam dá pra ver que são românticos, mas às vezes muito melosos, o que combina muito com o estilo musical predominante aqui (baladas grudentas sobre amor — ou a falta dele).
Pra terminar, mais um pensamento Confúcio: “Na China, dois corpos ocupam, SIM, um mesmo lugar no espaço”.
Explicação? Bem, toda vez que você entra num metrô lotado e pensa (enquanto respira esmagado) “Caraca, aqui não cabe nem mais uma sacolinha”, magicamente entra mais alguém! Já viram o vídeo do metrô no Japão? É igualzinho, só que na maioria das vezes sem os policiais empurrando o pessoal.
Publicação original de 02/05/2011.