Resenha de PISTOL, de Acid Black Cherry (avex trax, 2011). Nota: 7,5.

Muito longe de ser uma banda surpreendente, o Acid Black Cherry não desperta a atenção dos ouvintes de rock japonês no Ocidente justamente por não ter uma personalidade marcante. Em adição, Yasu, o eterno ex-vocalista do Janne da Arc, nem sempre consegue criar composições memoráveis, coisa que tem acontecido com certa frequência nos últimos CDs.

No entanto, PISTOL pode ser o início de uma mudança nesse cenário. A faixa-título dispensou os exageros de produção dos lançamentos recentes — que transformavam o som da banda numa massa disforme, soterrando os vocais do seu líder em teclados desnecessários. “PISTOL” é uma música de guitarras pesadas, bons ganchos e um refrão que gruda nos ouvidos. Como boa música pop deve ser.

A recreation track (regravação de sucessos do passado) da vez é a pérola “Ai o Kataru Yori Kuchizuke o Kawasō” do WANDS, grupo que era presença certa nas primeiras posições da Oricon durante a década de 1990. Yasu não tirou nem pôs quase nada, mas valeu pelo resgate daquele clima nostálgico que o rock japonês mainstream costumava ter na época.

PISTOL pode renovar o fôlego do Acid Black Cherry. Se não o fizer, a banda corre o risco de virar artigo de nostalgia e cair no ostracismo da mesma forma que boa parte dos grupos que costuma homenagear.


Publicação original de 07/10/2011.

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