Resenha de Carnation, de Ringo Shiina (EMI Music Japan, 2011). Nota: 8,5.
Uma artista de poucos lançamentos, Ringo Shiina parece extremamente criteriosa com o próprio trabalho. Carnation é seu décimo segundo single, posição que algumas bandas japonesas atingem em dois anos. Às vezes, até menos. No entanto, a baixa frequência de novidades parece garantir um alto nível de qualidade.
Mesmo quando as canções não são essenciais, letras e, principalmente, arranjos são de esplêndidos. É o que ocorre com a faixa-título. “Carnation” soa como uma boa canção perdida de alguma trilha-sonora antiga da Disney. Não deve figurar entre as preferidas de nenhum fã, mas isso não a torna nem um pouco desagradável. É uma bela música romântica.
O crème de la crème do CD são os b-sides. Reafirmando o pluralismo de estilos de sempre, “Watashi no Aisuru Hito” é uma mistura eletrônica do que os franceses absorveram do nosso samba e “Jinsei wa Omoidōri” tem o toque divertido dos musicais da Broadway.
Para os iniciados, a primeira lembrará o trabalho de Shiina com o Jazztronik no single Ariamaru Tomi ou as composições com influências latinas de Ichiyo Izawa, seu parceiro de Tokyo Jihen. Uma orquestração à jazz de Nova Orleans faz as vezes da segunda, com um banjo (!) dando o tom teatral da faixa.
O respeito pelo próprio trabalho de Ringo Shiina deveria servir de exemplo para a cena musical, ou indústria para nomear com mais precisão, japonesa, que há alguns anos vive inundada diariamente por centenas de lançamentos soando quase sempre como cópias das posições mais altas do ranking da Oricon da semana anterior. Prova cabal de que é possível viver fora dessa prática açougueira e ainda ser bem sucedido no mainstream.
Publicação original de 18/11/2011.