Resenha de Kisho , de Gargoyle (Daiki Sound, 2011). Nota: 9,0.
Não faltam exemplos recentes de grandes medalhões que enveredaram pelo triste estado de ‘coxinha’ ambulante. Apoiados na certeza de que seus fãs consumirão qualquer porcaria em uma caixinha, lançam petardos da ruindade musical.
Mas, vez ou outra surgem artistas que não cheiram a naftalina e, com a galhardia que deveria ser típica a quem já é experiente, exibem como os bacilos da repetição podem ser driblados com maestria. Nesse árido campo se encontra o Gargoyle.
Em Kisho, KIBA e sua gangue não utilizaram se valeram tanto das influências avant-garde de outrora. Pode ser um mau sinal para quem é fã fiel do grupo, mas a alta qualidade das canções esclarecerá qualquer dúvida.
“Knuckle Art”, “VIVA!-aso-VIVA!” e “Mumbo Jumbo” são daquelas pauladas heavy metal que deixam o pessoal do SEX MACHINEGUNS babando. Mesmo que instrumentos incomuns não apareçam, qual foi a última vez que você viu um solo de baixo que ocupe o lugar da guitarra como o de “Amefuru Kumo”?
Violões fazem a cama para a voz de ‘andei fazendo gargarejos com lâmpadas 9 volts’ do KIBA na balada épica “Shinkirō no Naka e”. KENTARO recicla todas as formas possíveis da guitarra em riffs e solos que beiram o hipnótico, como em “Hone no Aji”.
Grosseiro, barulhento e nervoso. É muito bom quando os veteranos dignos aparecem para dar uma lição de comportamento nesses velhotes bunda-moles. Contraindicado para quem acha o Luan Santanna um fofo.
Publicação original de 06/05/2011.