Resenha de LOTUS, de DIR EN GREY (Firewall Div., 2011). Nota: 7,5.
Lançamento novo do DIR EN GREY é um evento tão gerador de amor e ódio quanto Fla-Flu (realoque a disputa caso você more em outro estado). De um lado estão os fãs mais ardorosos — e, muitas vezes, desmiolados — da banda que aceitariam até bosta dentro de uma caixinha de CD. Do outro, uma nação de revoltados mais invocados com esses fãs do que dispostos a passar um mínimo de tempo ouvindo qualquer canção dos caras. Uma pena. A discografia do DIR EN GREY caminha por tantos estilos diferentes que pode agradar boa parte dos ouvintes dentro da esfera do rock japonês.
A formatação do single é uma constante da carreira da banda: a faixa-título, uma regravação e uma versão ao vivo. Essa disposição pode ter variado um pouco com o passar dos anos (até porque eles não fizeram tantas regravações assim), mas não é nada surpreendente para quem já teve contato com lançamentos desse tipo.
“LOTUS” começa no mesmo estilo que a banda tem praticado desde o lançamento do álbum UROBOROS. Kaoru e Die, desta vez equipados com guitarras de sete cordas, martelam riffs acompanhados pela sempre criativa cozinha da banda. O destaque fica para o refrão melódico que assim como “Hageshisa to, Kono Mune no Naka de Karamitsuita Shakunetsu no Yami” ficará na sua cabeça pelo resto do dia. Aliás, o estilo de composição é bem semelhante ao próprio single “Hageshisa to...”. Um refrão melódico apoiado por partes mais soturnas — em “LOTUS” são partes calmas ou experimentais que levam a um refrão chiclete, já em “Hageshisa to...” é um refrão chiclete que desencadeia uma música brutal. Fórmulas de lado, a música é hit certo.
A segunda faixa é uma nova versão para “OBSCURE”, clássico assustador do álbum VULGAR. Se você acompanha a banda há algum tempo provavelmente já enjoou dessa ou de “THE FINAL” (do álbum Withering to death.). Os caras as tocam constantemente em shows e pela imensidão de DVDs lançados desde o lançamento de ambas impossível não ter saturado um pouco. Então, “OBSCURE” é uma aposta menor do que regravar “ZAN” (do álbum GAUZE e regravada no último single). A última estava esquecida desde a fase onde a banda não revisitava nada do seu passado e ganhou uma versão totalmente reformulada. Já “OBSCURE” não fugiu muito da original. A produção seca deixou a música mais “na cara” gerando um contraste interessante com dedilhados meio orientais que as guitarras fazem em algumas partes da música. Algumas mudanças mínimas aqui e ali, mas nada que tenha chegado ao ponto de descaracterizar o que todo mundo conhece. A regravação é legal, mas perde para a versão original por ter se tornado somente uma música pesada, sem o clima desesperador de outrora. As versões ao vivo dos DVDs UROBOROS -with the proof in the name of living...- AT NIPPON BUDOKAN e TOUR08 THE ROSE TRIMS AGAIN não perderam seus postos de minhas preferidas nas muitas opções para se ouvir a música..
Já a faixa ao vivo dessa vez é “Reiketsu Nariseba”, faixa menor de UROBOROS. Mesmo em um dos momentos mais apagadas do álbum em questão, a música soa muito bem ao vivo, mostrando o quanto a banda está afiada no palco. Fetiche para os fãs e mais uma prova de qualidade para quem acompanhou o mau momento dos caras em palco na turnê de divulgação de THE MARROW OF A BONE, lançado em 2007.
“LOTUS” é um single forte e mantém a boa sequência de CDs do grupo. Seu único problema é não ser chocante como “Hageshisa to...” ou surpreendente como “GLASS SKIN” (e eu poderia atribuir outros adjetivos para singles antes desses dois). Talvez seja muito cedo para afirmar, mas provavelmente o próximo álbum da banda vai ser o menos inovador e surpreendente desde Withering to death.. O que não é algo ruim, afinal, boas canções não estão atreladas à capacidade de se reinventar a cada minuto. Mas o DIR EN GREY é bem mais interessante quando se arrisca mais.
Publicação original de 24/01/2011.