Ao pensar em música japonesa, a primeira coisa que se passa na cabeça de 90% das pessoas é o “glamour”, a fama e toda a mordomia ao ser famoso, seja no Japão ou ao redor do mundo. Mas, vendo por outro lado, a vida de um j-rocker pode não ser assim tão fácil.
Ao começar a carreira, há a insegurança se o début vai agradar ou não. Aulas de canto, de instumentos, mudança de visual, compras (tá, isso não é ruim), ensaios, ensaios e mais ensaios.
BOOM! O début fez sucesso e começa a turnê pelo Japão. As pessoas começam a te reconhecer na rua e a pedirem autógrafo quando você está tomando aquele café da manhã na padaria da esquina. Óbvio que você será muito agradável, mesmo que tenha acabado de acordar.
Ensaios e mais ensaios, combinados agora com a rotina de photoshoot e entrevista para a rádio. Você não consegue parar. Muitas bandas passam o dia tirando fotos para divulgação de apenas um álbum ou turnê e, como sempre, apenas algumas fotos são aprovadas.
O primeiro grande show em uma cidade vizinha, no qual muitos já te idolatram e alguns estão ali apenas por curiosidade, pode definir se sua carreira vai ser um sucesso ou vai parar após a primeira turnê. Finished!! Você se sente realizado depois de um show de quase duas horas, todos curtiram e você sente que agora vai poder descansar por um tempo, certo? Errado. Você precisa viajar para outra cidade ou estado dentro de quatro horas e só vai ter tempo de trocar de roupa, comer um lanchinho e dormir por um tempo mínimo.
Porém, a sua turnê ainda é apenas pelo Japão, logo você terá um tempinho entre um show e outro e poderá descansar. Óbvio que você deseja mais e pretende viajar pelo mundo, conhecer lugares, tirar fotos, comprar lembrancinhas. Depois de tanto esforço, uma viagem é merecida, não é?
Em menos de dois anos suas músicas tocam nas rádios, o reconhecimento nas ruas é inevitável e os shows aumentam progressivamente. Um tempo depois, você é chamado para a tão sonhada viagem pelo mundo, mas não a passeio, e sim, a trabalho. A felicidade é clara, mas com aquele friozinho na barriga: “Será que vai dar certo?”
Ásia, América do Norte, Europa e até mesmo América do Sul estão na sua lista. UFA! Vai ser uma correria e tanto. Os ensaios continuam com menor frequência, a mudança de lugar é constante e nem sempre dá tempo de fazer tudo o que deseja naquele lugar maravilhoso, mesmo que durante um pequeno intervalo todos corram parar tirar uma foto de recordação.
Mas o que mais importa é que você está superfeliz porque a carreira deu certo e, apesar da correria, tudo o que você mais quer é ver a empolgação no rosto das pessoas no momento do show. Sendo assim, dá o melhor de si e sente a vibração do público de cada canto do mundo de forma intensa e excitante. A sensação ao voltar para casa é a de dever cumprido.
E, depois disso, percebemos que nem sempre a vida de j-rocker é fácil. Miyavi disse que levou horas até chegar aqui e que foi muito cansativo para ele; Kamijo (Versailles) desmaiou no palco em um de seus shows pela Europa; Gackt passou por momentos de tensão quando toda a energia do local parou de funcionar, também na Europa. Mas o mais importante é que todos eles saíram sorrindo desses empecilhos e não deixaram o show parar por causa disso, causando a mesma euforia como se tudo tivesse saído “conforme o planejado”.
Publicação original de 05/08/2010.