Olá, leitores da Rádio Blast! Venho avisar que nesta primeira parte vou falar mais da parte TÉCNICA do filme e não do ROTEIRO em si. Na segunda parte, falarei mais do roteiro. É isso!
O novo filme de José Padilha, Tropa de Elite 2, foca mais na história do Capitão Nascimento do que na história do BOPE, como no primeira franquia do filme. Tropa 2, que já está na sua 3ª semana, ainda lota salas e arrecada números, já passando de 6 milhões de espectadores. Com um narrador imperativo, o filme possui um prefácio em que o narrador, o próprio Capitão Nascimento, diz que irá morrer. A partir desta cena, o narrador, supostamente já morto, comenta que vai recordar então de vários momentos da vida. O público aceita a ideia da morte justamente pela imposição da narrativa. O diretor se utiliza desse recurso narrativo ao logo de todo o filme, deixando que o espectador seja guiado pelas pensamento do personagem principal.
A abertura de Tropa de Elite 2 é empolgante. Feita com efeitos visuais de luzes, somados com a música-tema do filme e uma sessão de imagens clipadas, ela resulta numa sensação de animação, o que instiga o espectador para o início do filme. O interessante da montagem clipada é que ela oferece uma gama de informações, sobre a trama do personagem principal, de forma que o espectador desenvolva uma ligação entre elas, remetendo à montagem dialética russa. Por exemplo os clipes do Capitão Nascimento feliz com o filho ainda bebê, depois conflitos entre ele e a esposa e por último ele sozinho, deixando ao espectador a ideia que ele irá se separar, o que é mostrado durante o filme.
Por causa da primeira obra da franquia, José Padilha foi chamado de fascista e estaria apoiando o movimento violento que o BOPE faz pelo Rio de Janeiro. No segundo filme, Padilha coloca essa acusação na fala do Capitão Nascimento, tentado explicar ao público que a pessoa que poderia ser acusada de fascista deveria ser o personagem. No início do filme há uma cartela reafirmando que é um filme de ficção. Mesmo assim, o diretor ironiza a relação realidade-ficção, colocando Marcelo Freixo como ouvinte da platéia do personagem Fraga, logo no início do filme. Essa ironia se dá porque Fraga é um personagem bastante inspirado em Freixo e o coloca como ouvinte de si mesmo.
Outra imposição que a narração produz é a fabricação de cenas imaginadas pelo Capitão Nascimento. A primeira, bastante evidente, é substituída pelo acontecimento que de fato se sucedeu no filme, já a segunda se confunde com a história do filme porque não há o artifício de retrocesso, para dar a continuidade real. Na hora dos conflitos, principalmente na cenas de mais diálogos quentes e pouca movimentação dos atores, a montagem utiliza pequenas elipses deixando de forma descontínua, os movimentos dos personagens. Como, por exemplo, quando o Fraga está no gabinete do juiz, discutindo com Fortunato, enfatizando o conflito da cena.
Além disso, o desenho sonoro (sound design) foi realizado com detalhismo no filme, com tiros vindo do fundo da sala e batuques na hora do samba. O voo realizado sobre Brasília também é uma forma de montagem dialética em que o narrador deixa o espectador concluir a ideia.
Publicação original de 25/10/2010. 1 imagem desta publicação não sobreviveu à migração de 2013.