Aqui, na região metropolitana do Rio de Janeiro, ontem e hoje foram dias de calor extremo. Para alguns, motivo para curtir uma praia. Para outros, uma sensação de desconforto muito grande. Já imaginou pra quem tem que trabalhar de paletó, no centro da cidade, como deve se sentir? Não é à toa, já que a transformação do espaço natural que existia (no caso, a Mata Atlântica) por um espaço urbano altera profundamente o clima da região. Surfando na onda da semana de sustentabilidade da Rádio Blast!, tentaremos explicar rapidamente algumas causas e possíve soluções para esse problema.

A expansão vertical e horizontal de uma cidade causa um aumento geral na temperatura. Isso ocorre pois há uma multiplicação das áreas que recebem e emitem radiação solar, como asfalto, muros de concreto, etc. Boa parte desse material utilizado na construção civil, como já vimos em outros posts aqui na Blast!, possuem uma capacidade de soltar essa radiação muito rapidamente, deixando o ar mais quente.

O vidro e o asfalto, por exemplo, são dois materiais lamentáveis de serem usados do ponto de vista ambiental. O primeiro possui alto índice de reflexão, o que faz com que a radiação solar seja multiplicada por dois naquela localidade. É bom para quem está dentro do prédio, pois, além de agradável, é esteticamente belo, mas péssimo para quem está do lado de fora. O segundo, por sua vez, possui alto poder de absorção da energia solar, basta colocar a mão sobre uma superfície preta em dias de sol a pino (não façam isso em casa, crianças).

Os ventos são um dos responsáveis para amenizar a temperatura, já que eles espalham o vapor d’água. Entretanto, a intensa verticalização da cidade, com construções coladas umas as outras, cria uma barreira que impede a circulação atmosférica. Um exemplo disso é o bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, onde acontece um fenômeno conhecido como ilha de calor, isto é, o aumento da temperatura em uma área da cidade. Na verdade, na Europa e nos países de clima temperado em geral, a consolidação desse fenômeno climático é positiva. A ilha de calor se torna um problema nos países tropicais, pois deteriora em muito a qualidade de vida. Na Avenida Atlântica, o conforto térmico é elevado, enquanto que nas demais ruas que não recebem a brisa marítima as temperaturas podem ser insuportáveis. Isso é potencializado pela intensa circulação de carros e ônibus, que emitem gases que retém calor, prejudicando ainda mais a população.

A urbanização também pode afetar a umidade do ar, que poderia contribuir para amenizar a temperatura. Isso ocorre pos rios foram canalizadas, poluídos ou até secaram, já que são muito utilizados para consumo, nas indústrias, na diluição de dejetos, etc. Lagos e rios a céu aberto podem amenizar a temperatura, mas isso só é percebido em locais específicos, “ilhas” de natureza intocada, em parques ou reservas ambientais.

Em Bangu, considerado um local com o clima mais quente do Rio de Janeiro e a Zona Norte em geral são afetados pela ausência dessa umidade. A brisa marítima que vem do Sul causa chuvas na Zona Sul e no Maciço da Tijuca. Quando os ventos chegam na Zona Norte, eles já chegam sem umidade, o que gera uma sensação ainda pior nessa região.

Soluções? Alternativas possíveis seriam a preservação de grandes áreas verdes e de lagos ou rios que possam contrabalancear o peso climático da região, que é alto. O calçamento com pedras e terra, por exemplo, além de diminuir a quantidade de asfalto, ajudariam a evitar algumas catástrofes ecológicas, como as enchentes. A criação de áreas de lazer como parques e campos de futebol podem convergir águas nos períodos dessas enchentes para evitar o alagamento de ruas e casas próximas. A criação de construções com telhados brancos também podem melhorar o clima localmente, já que eles refletem mais radiação solar do que aboservem. Isso sem falar em evitar a construção em áreas sujeitas a desabamentos. Em outras palavras, vamos planejar melhor nossas cidades? Se não, não é apenas a natureza que vai sofrer dos mandos e desmandos de um modo de viver predatório, mas nós mesmos vamos acabar sendo afetados pelas suas consequências.


Publicação original de 19/11/2010.

Compartilhar
Comentários
0 comentários