O texto do blog hoje tem inspiração em propaganda política. Quem me conhece, pelos programas, sabe que eu não gosto muito de entrar nos campos da política pra debate. Primeiro porque eu não gosto/acho produtivo, segundo porque há o PlugInBaby na Blast! que faz esse tipo de reflexão anos luz melhor do que eu. Entretanto, estava eu assisindo TV quando uma mulher do DEM vira e fala: “Se for eleita vou defender a família tradicional (...)”. Gelei. A família tradicional está sendo atacada? Chamem o Exército! Chamem a Marinha! Chamem a AMBU, usem a carta Escudo, ativem os EVAs, mulheres e crianças primeiro!
Aí parei e refleti um pouco... Família tradicional? De quem? Seria aquela família composta por mãe e pai casados no civil e na igreja, com filhos, que nunca pensam em se separar e que não têm grandes problemas morais? Olha, não vou nem dizer que não conheço dessas famílias, não, porque eu conheço e acho ótimo. Agora, em que realidade do Rio de Janeiro está essa senhora candidata? Numa capital com altos índices casos de gravidez na adolescência, o que desconfigura uma tradição. Com um sem-número de menores abandonados que cresceram em abrigos, um mar de mães solteiras que fazem jornada dupla como trabalhadoras e mãezonas quando chegam em casa (tipo, a minha), pais gays e lésbicas (adotivos ou biológicos), casais que nunca se uniram perante a lei e toda sorte de gente não tradicional.
Seriam essas pessoas ameaça à tradição e à família? Então, por favor, eu estou no meio de uma organização criminosa? Claro, estou exagerando, gente. Isso aqui é apenas ironia para mostrar o quanto ainda temos um pensamento “tradicional” fake na sociedade brasileira, tão avançada e moderninha em muitos aspectos e com âncoras geradas por gente que, não duvido, acredite estar mesmo defendendo os interesses da maioria.
Assim, eu quero saber como é a família de cada um: tradicional, moderna, desconexa, integrada. E se por conta disso somos pessoas muito ruins, ou muito melhores. A configuração da família dos nossos ouvintes, os jovens, podem refletir, sim, o que há lá fora. E que a ilustríssima candidata prefere deixar de lado, em prol de defender a grandissíssima tradição.
Publicação original de 07/09/2010.