Sangue, mortes, mistérios, drama e tramas inteligentes. Bem-vindo ao universo de When They Cry.

Hoje vou começar a falar de uma série de dois animes que, apesar de terem ligações um com o outro, podem ser assistidos em qualquer ordem. Os animes até são um pouco conhecidos, mas muita gente nem ouviu falar.

A série When They Cry é composta pelos animes Higurashi no Naku Koro ni e Umineko no Naku Koro ni, que significam, respectivamente, “Quando as cigarras choram” e “Quando as gaivotas choram”. Falarei dos animes em posts separados, pois há muito o que falar sobre eles. Vamos começar com Higurashi!

A historia se passa em junho de 1983. Keiichi Maebara é um garoto que acaba de se mudar para Hinamizawa, uma pequena vila no Japão. Lá, existe apenas um hospital e uma escola, que tem apenas uma classe e uma professora. No colégio, Keiichi conhece algumas garotas da vila, mas não, esta não é um anime harém qualquer! Está muito longe daquelas coisas bonitinhas e engraçadinhas.

Uma das garotas que Keiichi conhece é Rena Ryūgū, uma menina hiperativa apaixonada por coisas fofinhas e que vive dizendo “omochikaeri” (algo como “Quero te levar pra casa”) quando vê alguma coisa kawaii. Os constantes alvos de Rena são as duas garotas menores, Rika Furude e Satoko Hōjō. Rena está quase sempre no lixão da cidade, que, segundo ela, é o lugar onde esconde seus tesouros — que podem ser qualquer coisa.

Há também Mion Sonozaki, a garota forte e determinada, líder de um clube após as aulas, do qual fazem parte Rena, Rika e Satoko e, posteriormente, Keiichi. O clube se dedica a atividades competitivas, nas quais normalmente o perdedor terá que pagar alguma coisa, seja um mico na frente de todos, sejam atividades extras; qualquer coisa pode surgir da cabeça de Mion. Entre as atividades do grupo, podemos listar jogos de baralho, brincadeiras aparentemente inocentes de pega-pega e muitas outras. Mion dá o melhor de si pelo grupo e sempre busca se superar na hora de criar novos desafios. Mas se engana aquele que acha que as coisas são simples. Quando jogam baralho, por exemplo, Keiichi é cruelmente derrotado na primeira tentativa. Logo ele percebe que as cartas são velhas e arranhadas ou rasgadas, e as meninas do clube decoraram cada arranhão com o tempo, sabendo sempre que cartas cada um tinha.

Satoko Hōjō é a caçula da turma, junto de Rika. Ela vive irritando Keiichi, mas no fundo o acha parecido com seu irmão Satoshi, que desapareceu. Essa semelhança inclusive é notada pelas outras garotas do grupo. Já Rika Furude é pequena, inocente, e muito, muito fofa. Vive dizendo “nippa!” no fim de suas frases e encanta a todos. Ela pertence a uma das três grandes famílias da vila.

Cansou de ler sobre os personagens e quer saber algo que valha a pena? Pois fique sabendo que, sem compreender quem são os personagens, você não conseguirá entender a história. Mas tudo bem, estamos chegando na parte sombria.

Falando das grandes famílias, elas são os Sonozaki, os Hōjō e os Furude. Os Sonozaki são uma família de mafiosos, e a mais poderosa entre as três. A avó de Mion, chamada de “velha-demônio” por quase todas as pessoas, é a líder da família e a pessoa mais importante da vila. Sabe de tudo que está acontecendo e impõe respeito a qualquer um. Os Furude são a família de sacerdotes. Acredita-se que, a cada geração na família Furude, nascerá uma reencarnação de Oyashiro-sama, o deus cultuado na vila. Rika é a atual reencarnação deste. E os Hōjō são detestados pelas outras duas famílias e pelo resto da vila. Durante uma guerra ocorrida alguns anos atrás ali, uma empresa queria construir uma represa em Hinamizawa, o que significaria o fim da vila. Todos foram contra, exceto os Hōjō, o que gerou ódio de toda a população. Os pais de Satoko foram mortos e hoje ela mora com Rika, também órfã. Até hoje algumas pessoas descontam na pequena Satoko o ódio pelo o que seus pais fizeram.

Pronto, tudo devidamente explicado, vamos à parte interessante. Todo o ano em Hinamizawa acontece o festival Watanagashi, em homenagem ao deus Oyashiro. Durante esse festival, uma pessoa morre e uma desaparece, todos os anos. Diz a lenda que Hinamizawa era uma vila de demônios, e que isso é a explicação para as tragédias do festival, conhecidas como “Maldição de Oyashiro-sama”.

A história é dividida em arcos, e não tente entender nada no primeiro. A cada arco vão surgindo mais e mais dúvidas, que começam a ser respondidas na segunda temporada. Cada arco pode ser um “capítulo-pergunta” ou “capítulo-resposta”. Todos os capítulos-perguntas têm um capítulo-resposta correspondente. A primeira temporada mostra todos os capítulos-perguntas, e a segunda, os capítulos-respostas. Não é necessário dizer que, nos capítulos-respostas, as coisas começam a ser esclarecidas.

No primeiro arco, Keiichi é dominado pela sindrome de Hinamizawa (outro nome dado para a Maldição de Oyashiro-sama) e acha que Mion e Rena querem matá-lo. É tudo uma ilusão de sua mente, mas ele acaba matando-as para se defender, e depois liga para a policia, mas se mata antes de terminar a ligação, estrangulando-se.

Agora você está pensando: “Como assim?! O principal morreu?! Vá se f****, não vou assistir... Tá, só mais um episódio, pra saber o que acontece”. É então que, no episódio seguinte, você vê Keiichi, Mion e Rena vivos, o garoto ainda chegando na cidade. Como se tudo tivesse voltado no tempo. É. A cada arco, a história recomeça e algum dos personagens enlouquece pela maldição e começa a matar os outros. Isso será explicado no começo da segunda temporada.

E, se acha isso complicado, sinto lhe dizer que é apenas o começo de uma trama sombria, dramática e surpreendente. Com personagens carismáticos, cenas de ação que vão desde massacres a sangue frio até uma luta no telhado do colégio com uma bomba prestes a explodir, e uma história que te prende a todo instante, Higurashi no Naku Koro ni consegue te deixar na dúvida até o ultimo segundo, dando resoluções incríveis aos seus mistérios, sem deixar nenhum buraco ou falha. É um anime que tem que ser visto atentamente, prestando atenção nos detalhes. Muito suspense o aguarda durante a trama.

E, pra quem não sabe, é um fato cientifico que as cigarras só cantam na hora de sua morte.


Publicação original de 29/06/2010. 4 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.

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