Bom, agora que acabou o Big Brother, eu posso falar sobre a vitória pré-determinada do Dourado. Sim, porque acho que comentar durante o andamento do programa seria muito feio e eu tenho lá minha ética. Não estamos aqui pra propagandear nada nem ninguém. Mas temos umas questões boas pra tirar disso aí.

Antes de mais nada, não vou reclamar da “homofobia” do Dourado, pra ninguém dizer que eu estou puxando sardinha pro pessoal LGBT. Nem vou comentar da polêmica tatuagem de suástica que ele vinha a explicar constantemente. Na verdade, vou levantar outras atitudes do lutador que, pra mim, não o qualificavam para ganhar um prêmio na televisão. E atenção, não importa de quanto é o prêmio, a problemática e premiar. Dourado se mostrou misógino uma porção de vezes durante seu confinamento na casa, deixando entender que mulheres eram inferiores aos homens — principalmente inferior a ele. Além disso, foi o autor genial da frase “homens heterossexuais não pegam AIDS”, dando lá suas complexas explicações de quem não entende de nada, e precisa comentar.

Gente preconceituosa e ignorante existe aos montes. Porém, quando uma rede de televisão dá voz a esse tipo de pessoa, alguma coisa está errada. Não que o Big Brother deva levantar questões de filosofia, porque eu nem acho isso (de fato, sou defensor do programa). Quando uma edição que é logicamente tendenciosa opta por dar crédito a esse tipo de comentário, perde qualquer tipo de moral. E o pior, as pessoas que ignoram tais comentários, por indução da edição do programa, concordam com o autor das mesmas. Dourado me faz pensar que nosso país é, a principio, excludente de negros, mulheres, gays, nordestinos. Se as pessoas param pra pensar, superam os preconceitos. Mas precisam de um incentivo para começar a pensar.

Então, qual o parâmetro? “Ele é sincero”, ou “é verdadeiro, porque diz o que pensa” e a clássica “não é falso!”. Sim, um verdadeiro imbecil é uma excelente pessoa? Na mesma linha, temos uma eleição em 2010 em que vamos ouvir diversos “ele rouba, mas faz”, “vou votar nele, porque tem uma cara confiável”, “ela me parece uma pessoa direita e conservadora, por isso tem meu voto!”. Os eleitores são induzidos, tal qual a edição do BBB, pelas propagandas e por uma imagem construída de seus candidatos. E então, quais serão as medidas que você vai tomar esse ano ao votar? Quais os argumentos que a gente vai levar em consideração de agora em diante?

A gente conversa sobre isso na quarta, no Questão B!


Publicação original de 02/04/2010.

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