Há pouco tempo atrás, o anuncio com a Paris Hilton da cerveja Devassa foi retirado do ar pelo Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), por entender que o tal anúncio com a loira gringa ofende os princípios de ética da publicidade. As acusações foram usar a imagem da mulher (que era “devassada” em uma janela de prédio, ou seja, vista em voyeur), sensualidade excessiva e mais algumas coisas menores. Bom, analisemos.
Primeiro, eu não achei nada demais no comercial. Na verdade, o comercial é bem explicável. A cerveja é Devassa, a fama da Paris Hilton também e o verbo devassar é também utilizado para invadir a privacidade. Inclusive, já vi outros anuncios em que o mesmo tema aparecia: o voyeur de uma mulher na sacada/janela. O problema foi que esse comercial incomodou por vários motivos que, realmente, não são o foco desse debate. Proponho outro foco.
Comercial cancelado, a cervejaria coloca um video no YouTube que rapidamente é visto por diversas pessoas. E, no ar, vai outro anúncio malfeito avisando do vídeo na internet. E agora, Conar? Como proceder quando a sua proibição causou mais barulho do que simplesmente permitir o comercial de continuar? E a internet, zona sem lei, é o futuro de empresas de propaganda não ortodoxas? Sim, lembro de outro comercial que só vemos na internet, o da “velhinha moderninha” das sandálias Havaianas, lembram?
Bom, por outro lado, é preciso que haja uma verificação, certamente, da qualidade do material de propaganda no país. A Conar precisa trabalhar e tem uma função importante. Então, como resolver o impasse?
Essa é a pergunta que fica no ar e entra em debate no nosso próximo programa. Aguardo vocês, na internet.
Publicação original de 10/03/2010.