Já tá todo mundo sabendo da última pancadaria virtual, né? Walcyr Carrasco, autor de novelas da Globo, twittou que estava no Japão, e que sua próxima novela provavelmente seria sobre o país. Reza a lenda que, em algum momento, ele deve ter dito que haveria um personagem otaku, mas isso realmente pouco importa. O que importa é a reação dos ditos otakus, criando uma tag #otakuscontraglobo no Twitter e arrumando uma guerra contra o novelista.
Bom, essa é a informação. Agora, eu pensei numa coisa, queria dividir com vocês. “Otakus” são estranhos. Ah, não vem não... São estranhos sim. Vai me dizer que sair com orelhinhas de bichinho é normal? E não, não estou falando que é ruim, só não está na norma, o que se faz normalmente. Por mim, vocês podem sair todos vestidos de Pikachu, eu vou achar uma gracinha. “Isso, Tiano, vai rolar uma tag de #otakuscontratiano, já já.” Bom, o que eu acho engraçado é uma “minoria”, um grupo/tribo/seiláoquevocêsvãochamar que reage tão mal a influências externas. Otakus — e aí vamos juntar todo mundo que gosta de cultura japonesa no meio —, de certa forma, sacralizaram aquilo de que gostam de tal forma, que acabam excluindo até aqueles que gostam do mesmo que eles, mas não parecem true o suficiente.
Vão me desculpar, isso me parece algum tipo de psicose. Na contramão, o grupo Os Seminovos grava uma música que logicamente satiriza os gostos do mesmo grupo, “Ela É Otaku”, e não vi ninguém esbravejando e falando: “Tá errado, o certo é ‘ela é otome’, DUH!”. Por que será? Porque o grupo musical é “do underground” e pouco famoso? Ou porque lida com o humor e isso é certo, mas escrever uma novela é errado... por?
Precipitadamente, acham que seu grupo vai ser ridicularizado. E, com essa atitude, prova que não precisa da ajuda de um novelista. Ao se fechar num nicho, esquecem que “ser otaku” não é profissão, religião, nem nada mais que um hobby, um gosto. Se a ofensa é tão grande, peralá, algo está errado. Talvez nós, amantes da cultura japonesa, façamos a coisa da forma errada. Em vez de divulgar, a grande maioria quer ficar com esse lazer só pra si. Queridos, se só te resta isso para proteger, reveja as direções da tua vida. E são os mesmos otakus que sofrem bullying nas escolas, mas querem defender sua coexistência, exigindo uma aceitação que os próprios não demonstram.
Se você não concorda com o que aqui foi exposto, ou quer adicionar, o espaço pro debate (não pra se degladiarem) está aberto. E espero que o pessoal se manifeste mesmo, porque ainda não consigo compreender qual é a graça de se defender uma cultura como exclusiva.
Publicação original de 09/04/2010.