SPEED-iD liderou um selo que sempre prezou pelo oculto e extravagante, serviu de inspiração para uma pequena cena, particular, que crescia com o nome de Família Key Party. Quando se forma em 2006 uma banda especial que tinha intenção de reviver os grandes dias do passado, parecia que não iria além de uma mera apresentação de curta vida. Pois bem, Deflina Ma’riage, formada pelos líderes de três das mais significativas bandas da Key Party, lança um miniálbum chamado THE RIPPER, em, como já dito por Kyoka, tributo à banda que mais os inspiraram. Trata-se, é claro, de uma resposta ao retorno de SPEED-iD, uns meses antes.

Formada pela dupla HAL e H.L.EURO, respectivamente baterista e vocalista, eles foram o grande parâmetro, e sua música serviria como fonte inesgotável de ideias. Então, quando você vê Aliene Ma’riage gritar seus desesperos claustrofóbicos da escuridão que gera o desejo assassino, há relação direta com:

“In the dark of silence night
I awaking with a intent to murder.
Obscene woman’s smile
Was full of malice and desire”

...que é a visão paranoica em “Blackout Ripper”, mais explícita aqui do que no contento geral de um Kuroyume, por exemplo. Há um fascínio enorme pela psicopatia, nas músicas de SPEED-iD, com uma carga bem mais violenta do que as eram encontradas no visual kei de sua época; o que não gera surpresas quando encontramos referências a nomes de psicopatas conhecidos mundialmente, como Henry Lee Lucas e sua Casa das Orações — aqui transformada em casa dos horrores, e separada da oração —, e no Vampiro de Dusseldorf, que dizia:

“I’m going to strangle you and I’ll slit your throat too.
I love to see your blood run and that’s the thing that makes me cum.”

Palavras do próprio Peter Kürter, o vampiro; não menos parecido com o desejo prazeroso de livrar-se do próximo em “Shoot the Heaven”.

Unholy Night é um álbum pesado, não só pela temática, mas pela sonoridade adotada. A partir daqui temos um SPEED-iD que se intitula ‘rock gótico’, mas sem fazer propriamente música gótica, é vendida como visual kei, mais pelo visual vitoriano de EURO do que por qualquer similaridade com bandas da época. É também um álbum de exceção, já que foi gravado integralmente em inglês e lançado no mercado europeu — sendo, provavelmente os primeiros do visual kei a fazer isso. O único defeito é a animação na música Queer, que destoa de todo o resto; por isso aconselho excluí-la para a inclusão de “METHOD TO KILL”, que possui relação perfeita com as outras faixas.

Não vou tentar enganar ninguém dizendo que é um álbum  simples de ouvir, porque não é. Necessita primeiramente de boa vontade e disposição para entrar na mundo criado por Euro, sentir que os golpes de guitarra “Shoot the heaven” são como extraídos da mente, que o vácuo em “In Cold Blood” possui a naturalidade de uma má intenção...

[1999.10.xx] Unholy Night

  1. Evil Moon Rising
  2. Blackout Ripper
  3. In Cold Blood
  4. Henry Lee Lucas
  5. A Prayer
  6. The House Of Horror
  7. QUEER
  8. Alice
  9. Unholy
  10. Vampire Of Dusseldorf
  11. Shoot the Heaven

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Publicação original de 16/10/2010. 1 imagem desta publicação não sobreviveu à migração de 2013.

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