Nine é um musical hollywoodiano sobre Guido Contini, um diretor italiano famoso que não sabe como fazer seu próximo filme, numa crise de criatividade. Ele tem preocupações, cobranças do seu produtor e mulheres. Muitas mulheres que atormentam sua vida. Sua mãe, sua mulher, sua amante, sua atriz preferida e mais várias.
Uma questão que possa ser comentada sobre o filme é a adaptação. Nine é a adaptação de uma adaptação já adaptada. Enrolado, não? Então vamos explicar ao contrário. O original Oito e Meio, de Fellini, é um filme preto e branco, italiano, de 1963 e ganhou dois Oscars (melhor filme estrangeiro e melhor figurino — preto e branco). Inspirado neste, sugiu então um musical da Broadway na década de 80, chamado Nine, que perdura até hoje. Quase trinta anos depois, Hollywood agora tenta adaptar o espetáculo famoso para as telas do cinema. Captou?
O problema maior nisso é o telefone sem fio que gera essa diferente formas de releituras e adaptações umas em cima das outras. As versões da mesma história: cinema “antigo” italiano, espetáculo da Broadway, cinema “moderno” hollywoodiano, fazem com que o roteiro e a força da expressão dos personagens se perca. O drama fora das partes das canções é fraco, porque acredito que o diretor não tenha conseguido transmitir toda a emoção aos atores e estes ao público. As cenas de música e coreografia do filme são, realmente, muito bonitas, bem feitas e emplumadas.
Porém, o filme transmite uma sensação de ser um grande desafio que não deu certo tão certo e só ficou bonito. Isso soa irônico porque é bem metalinguístico, já que a crise criativa e o fracasso como diretor rondam a vida do personagem principal. Nine está concorrendo em quatro categorias: melhor atriz coadjuvante, melhor figurino, melhor canção original e melhor direção de arte. E não percam, o Oscar é hoje! Às 22h!
Publicação original de 07/03/2010. 2 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.