Olá, leitores da Rádio Blast! Venho me desculpar pela ausência temporária do programa 7ªrte nas suas quartas-feiras. A questão é que a internet não está favorecendo, logo eu não poderei apresentar até a conexão ficar novamente estável. Então, enquanto todos nós aguardamos por essa demorada melhora do sistema de telefonia brasileiro, da qual minha internet depende, vamos falar de cinema por aqui.

A Paramount, que nunca antes tinha se envolvido no campo de animação, resolveu arriscar este ano. O que todo mundo sempre soube é que, desde os primórdios, o gênero da animação sempre foi dominado pela Disney. Quando a animação computadorizada começou a se fixar como uma estética funcional e não mais experimental, a Dreamworks foi criada e entrou como concorrente da Disney. Isso aconteceu, na verdade, só depois do sucesso do Toy Story (1995) da Pixar, que foi o primeiro longa-metragem comercial totalmente computadorizado. A Pixar é a empresa de animação que desenvolve e produz todos os filmes que levam a marca Disney e que agora se uniram como uma única corporação fílmica.

Desde então, a Pixar e a Dreamworks brigam pelos risos das criançinhas e os dinheiros dos bolsos do pais ano a ano, lançando animações bem sucedidas como: Vida de Inseto (1998), Monstros S.A. (2001), Procurando Nemo (2003) e Os Incríveis (2004) da Pixar; FormiguinhaZ (1998), Shrek (2001), Madagascar (2005) e Como Treinar Seu Dragão (2010) da Dreamworks.

Junto com a Illumination, a Paramount se lança no mercado de animação computadorizada o filme Meu Malvado Favorito (2010). O filme tem a estreia no Brasil fora de época, ou seja, logo depois da safra das animações. Porém, o lucro arrecadado supera os das continuações de filmes já consagrados como Shrek Para Sempre (2010) e Toy Story 3 (2010), que foram lançados no Brasil em junho.

Meu Malvado Favorito, além de ser uma parceria da Illumination com a Paramount, não foi totalmente realizado nos Estados Unidos. As empresas têm uma filosofia de não estabelecer um grande estúdio de animação fixo em um lugar único do mundo, cada filme terá uma empresa terceirizada que melhor se estabelecerá para produzir. Além de se lançar no mercado já acirrado pela Pixar e Dreamworks, a Paramount vem com essa questão global inovadora que abre portas para pequenas empresas demonstrarem seus talentos.

O personagem principal, Gru, é um vilão que tenta capturar a Lua. Para tal, ele adota três meninas. Além disso, ele possui um exército de minions a seu comando. O filme tem uma narração simples: de início, meio e fim. Não é daqueles atemporais ou tampouco que começam pelo final. A linguagem utiliza muitos flashbacks para contar o porquê do comportamento de Gru, dos seus medos, anseios e desejos. O filme é influenciado pela teoria freudiana porque se baseia que os problemas de Gru são por causa de sua mãe.

Meu Malvado Favorito é notavelmente visado para o público infantil. Depois de Shrek (2001), que esbanjou de piadas internas para adultos, todos os filmes sentem a obrigação de salpicar várias piadas para maiores. Saindo um pouco desse contexto, Meu Malvado Favorito coloca poucas que não sejam para as crianças. É curioso notar que, nas passagens em que Gru é grosseiro com as órfãns, as criancinhas no cinema ficam ligeiramente acuadas e os adultos riem.

Há uma cena estranha em que o cientista entende o pedido das armas de Gru errado. Como não foram lançadas cópias legendadas no Brasil, não se sabe se a cena, originalmente em inglês, foi maltraduzida ou parte dela não tem sentido humorístico mesmo. A surdez do cientista faz com que escute “biscoitos robôs” por “robôs dançantes” num primeiro momento, que não é uma piada e faz criar a dúvida. Porém, depois, ele confunde “arma cabum” por “arma de pum” e aí sim, as criancinhas ao meu redor começaram a rir.

A tecnologia 3D foi amplamente utilizada no decorrer do filme. Há uma cena de 5 min em que eles vão andar de montanha-russa, em que a montagem e a fotografia fazem com que o espectador se insira no próprio vagão do brinquedo. As pessoas no cinema davam gritinhos de emoção como se estivessem presentes ao lado dos personagens do filme. Além disso, no decorrer dos créditos, os minions também usam o 3D para fazer piada. A graça da competição é ver quem chega mais longe da tela, ou seja, mais perto do espectador.

O filme leva ao espectador a refletir sobre a família, o amor e que a mudança pode trazer benefícios. O filme é criativo, inventivo e os minions são cativantes e simpáticos. Ele ainda está em cartaz!


Publicação original de 04/09/2010. 1 imagem desta publicação não sobreviveu à migração de 2013.

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