Faz praticamente um ano desde a última vez e que postei sobre bandas não japonesas (falar que Marilyn Manson iria tocar no V-SHOCK não vale!), da última vez havia sido sobre Mombojó. Pois bem, eles estão de volta, mas não sozinhos. Fiz uma coletânea com os artistas daqui que mais curto.
Entenda o “daqui” como as terras do lado de cima do mapa: Norte/Nordeste; ainda que predomine as bandas de Pernambuco, por motivos óbvios. Considero o Norte/Nordeste o maior expoente do rock nacional dessa geração. É imbatível. Pretendo apresentar nesta coletânea o que acho básico para qualquer um ter uma ideia do que estou falando — ainda que olhando novamente tenha ficado claro que alguns nomes importantes, como Otto e Via Sat, foram omitidos, e mais provavelmente entrarão numa segunda coletânea (mas não em breve). O mais dificil foi decidir quais músicas inlcuir; deixei de lado algumas favoritas para dar a vez a alguma que chame mais atenção do ouvinte curioso. Espero que gostem.
Abaixo está a lista dos escolhidos, mais comentários dispensáveis:
China: Após o fim da banda Sheik Tosado, o vocalista, China, inicia sua carreira solo. Não precisa nem dizer que o estilo rock praieiro de hoje é o inverso do punk de antes, e que um é tão bom quando o outro — apesar de eu preferir ir ele solo.
Cidadão Instigado: Banda do Ceará que lançou o terceiro CD ano passado. O som deles é algo como brega-music tosco (dã) e rock psicodélico de Pink Floyd. É o tipo de mistura inusitada que não poderia ter nascido em outra região.
Cordel do fogo Encantado: Minha banda favorita, de longe. Escolhi uma das minhas músicas favoritas: “Morte e Vida Stanley”, que trás a poesia e a força do nascimento de mais um miserável.
Devotos: A banda punk mais famosa entre pernambucanos. Quer dizer, eles não tocam em rádio nem nada, mas na comunidade do alto José do Pinho eles são idolatrados, e a frase de Lenine diz tudo: “Devotos e Sheik Tosados são o melhor do punk nacional”. Quem sou eu pra discordar!
Eta Carinae: Rock psicodélico com batidas eletrônicas e vocais femininos alternando com maculinos. É algo tão gostoso, expansivo, de se ouvir que sempre me pergunto o porquê de serem tão subestimados.
Lenine: Labiata foi o disco mais rock da carreira de Lenine, e tambem o mais acessível para os fãs mais jovens. Os mais puristas devem ter odiado, eu achei o máximo!
Madame Saatan: A primeira vez que tive contato com Madame Saatan foi um choque. Vocal feminino, letras poderosas, como evocações para um ritual pagão, e um instrumental pesado inspirado no tharsh metal. São a prova que o Pará vai além de Calypso.
Mombojó: Deles eu já falei antes, o que posso acrescentar para quem não conhece é que Mombojó é uma viajem :D
Mundo Livre S/A: Uma das bandas que fundaram o Manguebeat, mas seguem um caminho diferente do que que é feito por Nação Zumbi e Via Sat, por exemplo. Mundo Livre S/A é mais parecido com rock alternativo, com guitarras swingadas, um dia ensolarado e água de côco.
Nação Zumbi: Foi difícil escolher uma música. Para mim estava claro que deveria ser algo da fase pós–Chico Science, o que torna uma escolha difícil, pois todas as músicas me pareciam com pouco apelo popular. Fiquei com “Nascedouro”, que é minha preferida do ultimo álbum, Fome de Tudo (2007).
Sheik Tosado: Primeira banda de China, num estilo totalmente diferente onde era basicamente hardcore com percussão; no entanto a música que escolhi é mais como um hip-hop regional.
Volver: Rock alternativo com inspirações do pop nacional dos anos 70/80, e garantia de diversão. Essa é outra banda que pouca gente conhece, mesmo pelos alternativos daqui, motivo este que fez com quem eles migrassem para o Sudeste, onde eles tinham mais fãs.
Melhores daqui
- Mundo Livre S/A - Quem Tem Bit Tem Tudo
- Mombojó - Deixe-se Acreditar
- Cordel do fogo Encantado - Morte e Vida Stanley
- Lenine - O Céu É Muito
- Eta Carinae - Noite Seca
- Sheik Tosado - Repente Envenenado
- China - Jardim de Inverno
- Madame Saatan - Vela
- Nação Zumbi - Nascedouro
- Cidadão Instigado - Doido
- Volver - Canção Perdida
- Devotos - Punk rock, hardcore alto José do Pinho
Publicação original de 17/01/2010.