Olá, menines! Como estão vocês? Anne-chan de volta depois de muito tempo e, como prometido, trazendo um superpost sobre o Lolita! ~
(Fazendo uma pequena observaçãozinha: fiquem atentos aos asteriscos em nomes e termos, pra vocês poderem entender tudo direitinho! As explicações, definições e links estarão sempre no final do post, ok?! [;D])
Bem, eu demorei muito pra elaborar tudo isso, fiz pesquisas e mais pesquisas, descobri alguns detalhes importantes, encontrei também várias informações sobre o Lolita que se contradiziam, mas busquei reunir o máximo de informação coerente para que tudo ficasse bem claro para todos. E antes de qualquer coisa: eu não quero apenas trazer o conhecimento sobre o estilo para vocês, eu também desejo estudá-lo a fundo como amante de moda japonesa, para aprimorar meus próprios conhecimentos, e transmiti-los a vocês! Então vamos lá!~
Como o post me rendeu MUITO assunto [<3], dividi em várias partes, que serão postadas depois. Falaremos a seguir, sobre as origens e esclarecimentos do estilo Lolita.
A moda Lolita, chamada de Lolita Fashion (lê-se “rorīta fasshon” em japonês, com “r” brando), e também abreviada como Loli (lê-se “rorī” em japonês, com “r” brando), é um estilo japonês de moda, popular entre adolescentes e jovens adultas (e por vezes também pessoas do sexo masculino), cujas manifestações primordiais deram-se entre o final da década de 70 e início da de 80. É inspirada, geralmente, na nostalgia de períodos históricos e da infância, às vezes mesclando correntes juvenis, (como a “cultura kawaii”1) com a aristocracia dos tempos passados.
O termo Lolita em questão não é e não faz nenhuma referência ao romance do escritor Vladimir Nabokov, também entitulado Lolita, de 19552, que trata de um professor, já de certa idade, que se apaixona por sua enteada de 12 anos, e a apelida de Lolita. “Lolita”, portanto, é um caso de wasei-eigo, ou seja, um uso de palavra originária do inglês que ganha outro significado em japonês. Lolitas, em geral, preferem parecer-se com bonecas, princesas e jovens recatadas, do que garotas sexy. As ero-loli (das quais falaremos adiante) usam de influência menos ingênua, uma vez que vestem saias mais curtas, cinta-liga à mostra, corsets e afins — mas a vulgaridade, mesmo assim, passa longe, sendo apenas um pouco menos modestas que as lolitas de outras vertentes.
O Lolita também é muito confundido e erroneamente entitulado de Cosplay3, uma vez que é um estilo, enquanto cosplay é uma fantasia, em que você copia as vestimentas e as características físicas do personagem escolhido. O ato de fazer cosplay, embora muitas vezes levado a sério e mesmo sendo um hobby custoso, não tem pretensões de ser um estilo usado no dia-a-dia ou uma moda de fato. E não se faz cosplay de Lolita. Pode ser que, por exemplo, você opte em fazer cosplay de uma personagem que segue mais ou menos a linha estilística do Lolita, como a personagem Chii, do mangá Chobits4, ou até mesmo de Suigintō, do mangá Rozen Maiden5. Mas relembrando, é COSPLAY, e não Lolita. [8D]
Outro fato que é importante destacar é que, muitas vezes, o Lolita é visto como visual kei, o que deixa a ideia de que as pessoas adeptas ao estilo também são fãs do mesmo. Mas não é bem por aí. Embora muitas bandas tenham influenciado com a sua imagem a popularização do lolita, por possuírem integrantes que são usuários ou fãs do estilo, muitas lolitas sequer possuem interesse em bandas visuais ou de rock, independente de ser japonês ou não. Essa situação é especialmente visível no Japão, onde há parte que prefere outro estilo de música, e uma minoria que prefere o visual kei em si ou similares. Bandas japonesas como Malice Mizer, Moi dix Mois, An Cafe, Psycho le Cému e Vidoll têm membros influentes na comunidade Lolita e que, diversas vezes, também aparecem em editoriais de moda nas revistas Gothic & Lolita Bible e Kera. As cantoras Nana Kitade e Kana — que, aliás, ambas já têm posts futuros por aqui garantidos (y) —, são adeptas do estilo, embora sejam confundidas com músicos de visual kei por quem tem conhecimento superficial sobre o assunto.
E o que dizem sobre o músico Mana, ex-guitarrista e líder da extinta Malice Mizer e do projeto Moi Dix Mois, de ter “criado” o Lolita, ou uma das vertentes do estilo, o Gothic Lolita? Ele não foi o criador, mas de certa maneira também contribuiu para a popularização do estilo. Lolita como conhecemos começou a tomar forma nos anos 70, graças talvez à marca PINK HOUSE — e grifes muito importantes para definir o estilo como a MILK são dessa época (a MILK foi fundada em 1970, e fez várias coleções ‘lolita’ na década de 70). A revista Rococó fez uma lista das datas em que várias marcas lolita foram inauguradas e, mesmo levando em conta que o estilo mudou muito desde o início, essas datas provam que Mana dificilmente pode ter tido qualquer coisa a ver com a ‘invenção’ da moda Lolita. Breve também comentaremos sobre as grifes [^^].
Algumas fontes citam que Mana disse em uma entrevista que descobriu o termo Gothic Lolita (ou gosurori) quando um repórter o usou para definir sua roupa de Bara no Seidō (do ano 2000). O fato é que o vertente gosurori da moda lolita já havia surgido nas ruas nipônicas na primeira metade dos anos 90. Existem várias especulações a respeito de como teria se dado a origem do Gothic Lolita: talvez o estilo houvesse sido influenciado por outras bandas de visual kei com membros com roupas inspiradas em lolita, como Missalina Rei (banda que teve início em 1998) e seu Arisugawa Arisu, ou Lareine e seu baixista Emiru; ou talvez inspirado em designs de mangás como KISS XXXX, que virou anime em 1991; ou quem sabe até inspirado pela dupla Switchblade Symphony, extremamente popular no Japão na década de 90 e que influenciou artistas como Dada, do Pride of Mind e Velvet Eden.
Elegant Gothic Lolita e Elegant Gothic Aristocrat não são sinônimos nem termos que abragem toda a moda Lolita. São nomes dados por Mana à sua linha de roupas em sua própria grife, a Moi-même-Moitié.
As Lolitas muitas vezes frequentam karaokê, fazem piqueniques, promovem encontros regulares para tomar chá ou apenas ir a cafeterias e confeitarias. Na atualidade, o ponto de maior concetração das Lolitas é a ponte de Harajuku, em Tóquio, onde se reúnem para tirar/posar pra fotos, principalmente porque lá é um lugar onde podem expressar-se livremente. Também se encontram por todo Japão, e como a moda se expandiu pouco a pouco, tomou conta de vários países, especialmente os europeus. No Brasil, o estilo é por vezes visto em eventos de anime e cultura japonesa, nas ruas do bairro da Liberdade (em São Paulo) e em orkontros próprios e afins.
O Lolita está em constante inovação, e é essa particularidade que lhe dá um carater único e ilimitado: cada lolita integra a filosofia dentro de si, a modifica, e através de suas próprias vivências e modo de ser, dá um sentido ao seu lolita.
Para muitas, mais do que um estilo, ou um hobby, um modo de vida.
Notas
- 1 Cultura ‘kawaii’ (cute culture): kawaii, japonês para, fofo, adorável. O termo tornou-se um aspecto proeminente da cultura japonesa: no entretenimento, roupas, comida, brinquedos, imagem pessoal, comportamento e modos de agir. Estampas da Hello Kitty não apenas para crianças, trens, aviões e ônibus ‘estampados’ com Pikachu e personagens da Disney, e etc.
- 2 Lolita, o livro: Vale lembrar que a grafia japonesa para lolita como estilo de moda é rorīta e, para o livro, rorita.
- 3 Cosplay: atividade praticada principalmente (porém não exclusivamente) por jovens e que consiste em disfarçar-se ou fantasiar-se de algum personagem real ou ficcional, concreto ou abstrato, como, por exemplo, animes, mangás, comics, videojogos ou ainda de grupos musicais — acompanhado da tentativa de interpretá-los na medida do possível.
- 4 Chobits (ちょびっツ) na Wikipédia
- 5 Rozen Maiden (ローゼンメイデン) na Wikipédia
Concluindo
Então, [:3] espero que tenham gostado, e sempre sintam se livres para comentar, deixar sua opinião, dúvidas, criticar, enfim. Fikdik [;D].
Na próxima parte, daremos início a primeira parte das vertentes/subdivisões do Lolita!
Beijos pra todos vocês, e até a próxima! [\o]
Publicação original de 15/04/2010. 7 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.