Indo ao cinema, tentando ver Tropa de Elite 2, obviamente me deparo com todas as salas do cinema lotadas, mesmo não sendo final de semana. Já que Tropa de Elite 2, na sua primeira semana de exibição, o filme atraiu 2,97 milhões aos cinemas, superada apenas por uma das semanas de exibição de Titanic. A estreia de Tropa de Elite 2 tornou-se a segunda melhor semana de uma produção na história do mercado brasileiro de exibição, ponto para o cinema brasileiro.
Já sabendo que não ia conseguir ingresso, não querendo comprar pela internet e ignorando a venda antecipada, optei pela ideia mais cômoda: ver outro filme. É importante dizer isso tudo porque muitos filmes fazem jogadas estratégicas de lançamento para aproveitar essa onda de salas lotadas e redestribuição de público. Ou seja, aquele filme que tem uma temática parecida com o super filme lotado que estreou agora não entrou em cartaz numa data próxima tão à toa.
Mas, falando menos de Tropa de Elite 2 e mais do outro filme que eu escolhi ver, devo confessar: o filme é fofo. A Lenda dos Guardiões é uma aventura infantil feita pelo mesmo diretor, Zack Snyder, de 300 e Watchmen. Poderíamos pensar que ele é um diretor diversificado, inusitado, esquisito? Ah, não, foi só eu que pensei.
O filme fala sobre a jovem coruja Soren, um sonhador que ouve de seus pais contos e mitos sobre os Guardiões de Ga’Hoole, um lendário clã que participou de guerras no passado. Por acreditar nos Guardiões, Soren sempre teve desavenças com seu irmão, o invejoso Kludd. Antes de aprenderem a voar, Soren e Kludd se afastam de sua família e são raptados por um grupo de corujas.
A fotografia do filme é muito sofisticada, com paisagens belíssimas, além do detalhismo na criação das corujas, suas penugens, bicos, texturas, etc. Sendo uma animação, o diretor teve a oportunidade de fazer enquadramentos diferentes e mirabolantes, principalmente se tratando de animais que voam, deixando o filme ainda mais interessante. Além disso, Snyder utiliza diversas vezes cenas em slow motion, enfatizando a ação e dando ainda mais emoção as lutas e aos voos.
O filme tem uma narrativa linear e temporal, com o seu desencadear de ações bem delimitado, dando ao espectador a sensação de início, meio e final de filme bem evidente. Esse tipo de linguagem pode ser vista como rasa, mas também como útil para abranger várias fáxias etárias. A trama do filme é baseada nos três primeiros livros da série literária em 15 volumes intitulada The Guardians of Ga’Hoole criada por Kathryn Lasky. O roteiro da adaptação é assinado por John Orloff.
O tema já bem conhecido pelo espectador, já visto em Nárnia, Harry Potter e tem muitas citações de Senhor dos Anéis — o que era de se esperar, já que o diretor disse que gostaria que o filme fosse visto como um Senhor dos Anéis para crianças. Como uma boa tarde de domingo, o filme vale o ingresso.
E então, eles não são uma gracinha?
Publicação original de 19/10/2010. 5 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.