Resenha de LAST, de UVERworld (gr8! records, 2010). Nota: 7,5.

Quebrando tabus, o UVERworld traz um álbum animado. LAST, o mais recente trabalho da banda, é, curiosamente, o primeiro álbum em que nenhuma das músicas é usada como trilha de algum anime. Fato inusitado, já que boa parte de sua fama, tanto no Japão quanto no Brasil, se deve aos seus trabalhos em diversas séries: “Colors of the Heart” (Blood+), “D-tecnoLife" (Bleach), “endscape” (Toward the Terra), “Gekidō” (D.Gray-man) e “Hakanaku mo Towa no Kanashi” (Mobile Suit Gundam 00 2nd Season) são os exemplos. Mas isso não tira o brilho dessa nova empreitada — talvez até aumenta. Vamos à resenha, finalmente.

O single “GOLD”, cujo PV foi lançado em 3D, abre o álbum com sua animação e ritmo frenéticos. Uma batida mais pesada misturado com um leve hip-hop e a sonoridade pop fazem da música uma ótima introdução ao novo trabalho e estilo da banda.

Em seguida, “world LOST world” faz você se acalmar do começo frenético do álbum, mas sem perder o entusiasmo, com uma bateria mais presente, alguns efeitos eletrônicos e com o trio de cordas (um aplauso para o solo de baixo) mantendo a animação, mesmo a música tendo uma vocação mais light.

“SPARTA” começa com uma marcha, chamando você para entrar numa melodia pesada e austera. Uma das músicas mais impactantes da banda. O rei Leônidas tocaria fácil essa música para suas tropas se divertirem (lol).

“Kokoro to Kokoro” é a primeira balada do álbum, mas não é daquelas chatas em que você vai chorar pela “cornitude” do vocalista, ou pela sua... (cada um com seus problemas, né?); ao contrário, é bem confortante o ritmo. “Coração com Coração” é a tradução do nome para o português.

Já “the truth” te faz esquecer a paixão da faixa anterior, com um começo forte e uma melodia que mescla uma calmaria com atitude, que mais pro fim da música depois de um “rap” se transforma totalmente em uma música forte e marcante.

“BARREL” é, sem dúvida, a música mais “mano” do álbum. O estilo mixture-rock na mais alta performance, com o hip hop bem forte e os metais aparecendo de forma forte, mas como a faixa anterior, muda um pouco o foco mais pro fim da música, com um solo “latino”, seguido de um “rap”, bem ao estilo da banda Dragon Ash.

“Hai! Mondaisaku” é a música mais “UVERworld” do álbum, com a mesma batidinha light que já é tão conhecida deles em outros trabalhos. Não é uma música ruim; ao contrário, é boa, mas nada demais também. A tradução do nome da música é algo próximo de “Sim! Construir Perguntas”.

Com um riff de entrada bem 9mm Parabellum Bullet, “closed POKER” na verdade é quase uma balada. “Sentimental”, “ativa” e “tocante” são adjetivos propícios à música, sem contar que o refrão é bem “super bonder”.

“Kanashimi wa Kitto” chega ao álbum em uma nova versão, mas com pouquissimas diferenças, e é a grande (em duração também) balada romântica do álbum. Violinos acompanham a melodia calma e gostosa de ouvir, maestrada pela voz de TAKUYA∞.

“CHANGE” foi b-side do single “GOLD”, e é ela que volta a te colocar pra dançar. É também uma música com uma melodia e arranjos bem clichês da banda, inclusive o refrão chiclete com banana.

“WANNA be BRILIANT” é outra música que, com o perdão do trocadilho, começa brilhando e depois se ofusca na mesmice. Na minha opinião, é a música mais fraca do álbum.

“Kimi no Mama” é mais uma balada também tendo violinos como acompanhamento, mas com um refrão mais sofrido, digamos assim. O trabalho da melodia é, sem dúvida, muito bem-feito, mas fica sem sal por termos outra música com violinos no mesmo álbum, contando que não é uma banda de usar esse instrumento no habitual.

“GO-ON” encerra o álbum com uma versão “2nd Mix”, bem diferente da do single, e mais empolgante, te fazendo esquecer as músicas que te broxaram e encerrando o álbum do mesmo jeito que começou, animado e serelepe pimpão.

Como conjunto de músicas, é o terceiro melhor álbum de estúdio do UVERworld, que mostra que consegue se manter sem o marketing do animes. Suas músicas criam um ambiente animado sem deixar o sentimento de lado, e as raízes do mixture-rock estão sempre presentes, de forma light ou exarcebadas como em algumas músicas, mas o hip hop com o rock alternativo é visivelmente estampado. Isso faz de LAST um álbum que você tem que ouvir sem sombra de dúvidas, principalmente se você só conhece o UVERworld por causa das músicas-temas.


Publicação original de 28/04/2010.

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