Angra dos Reis, Praia Grande, Rio Grande do Sul. O ano começou com algumas desgraças. E, nos jornais, além da famosa mídia da dor, pessoas cobrando soluções e, doentiamente, culpados. Saber de quem é a culpa pela desgraça parece fazer bem para alguns, mas será necessário? Aliás, existe culpado pra tudo? Enquanto dividem as cinzas de uma desgraça moradores, prefeitura e cilmatempo, vão se enterrando corpos.
Saindo do universo geral e indo pro pessoal, quando algo de ruim nos acontece, perguntamos logo de quem é o dedo. (Vocês humanos são engraçados, alguém aí pede a culpa de uma coisa boa? Só aproveitam... Eu sou de pelúcia e aproveito tudo, até as desgraças dos outros. Tititi dando lição) Por que a professora nos deixou em prova final? O que eu fiz pra merecer isso? Alguém mexeu no meu queijo! Alguém falou mal de mim pra ela... Entre tudo, nossos inimigos comuns: o governo, os EUA capitalista-dos-inferno, Deus de mau humor, nossos pais. Na falta de quem culpar, para se sentir melhor, a culpa é do destino. (Pobre Dr.Doom...)
Tentemos uma nova perspectiva: Pra que culpar alguém ou alguma coisa? Por vezes, deu merda e pronto. Assim, simplificando. Buscar os culpados num sistema cheio de falhas, inclusive as nossas, vai nos trazes o que de bom? Saber o culpado e não poder fazer nada em relação a isso, então? Na sequência de presentes que é a vida, a maioria das escolhas é nossa, então vamos todos nos penitenciar por cometer erros. Culpa, sim, existe. Mas pode ser discriminalizada e parar de ser regra. Ou será que não?
Pra vocês, precisamos de culpados? Quando? Como proceder quando, no fim, somos nós os péssimos pilotos da nossa vida? E quando sabemos que a culpa é de outros? Vamos debater sobre nossa relação com a culpa nesse próximo Questão B! Não percam!
Publicação original de 11/01/2010.