Já virou meia-noite no meu relógio, então podemos dizer que estamos no dia 20 de julho de 2010. Ou, em letras miúdas, no dia do amigo de 2010. Aí Tititi me perguntou se eu não ia falar sobre amizade nunca nesse programa, que já falamos de outros tantos relacionamentos entre pessoas (amor, família, escola...). Bom, para ser franco, eu nunca soube exatamente o que debater sobre isso tudo. Ia acabar virando um post e um programa de rasgação de seda — não que eu não goste — e íamos perder a objetividade do debate. Pois bem, decidi rasgar o trabalho dos pobres bichinhos E tentar ser produtivo. (“Na verdade, eu não estava pedindo um programa rasga-seda. Só fiz uma pergunta!”)

Pois bem, amigo é coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito, é amigo irmão, amigo de fé. É aquela pessoa que você ama mais que seu par romântico, mas nunca vai admitir. Por quem você passou horas no telefone, com quem você chorou aquela perda irreparável, que te acompanhou na distância certa a vida inteira para apontar o que você já fez de bonito e de horroroso. Muito profundo, não? Amigo também não deixa de ser aquele que te leva pra casa bêbado em segurança (“E troca suas roupas!”), que arruma uma companhia para sua noite solitária, que te dá um presente porque lembrou de você naquela lojinha do centro.

Eu podia, como disse, ficar desenvolvendo o que são amizades, agradecer imensamente pelos meus tantos amigos, conhecidos, simbiontes inseparáveis, almas gêmeas, etc. Daí vamos para a pergunta título e tema desse programa. ( “Aleluia! Tava achando que tu ia perder de novo a linha de raciocínio, Tiano!” Tititi com fé em mim, percebam.) Esses amigos dizem quem é você? Ou melhor, você só anda com seus iguais? Se curtem o mesmo que você, se vão aos mesmos lugares, se falam a sua língua, detestam quem você detesta, aprendem o que você quer ou gostaria de aprender, são uma extensão de você? São só seus amigos uma parte de você refletida, ou destoam?

Eu podia responder as minhas próprias perguntas, mas seria tendencioso para o programa, então deixo perguntas de contra-argumento àquelas que eu fiz: seus amigos acham metade das coisas que você faz estranhas, debatem horas suas posições políticas, não entendem por que você está namorando aquela criatura e não têm saco de te acompanhar em determinado tipo de lugar que você ama? E ainda é seu amigo? Opa! Que estranho!

Esclarecendo, no próximo programa vamos debater sobre o que faz as pessoas considerarem amigos. Se interesses, se destino, se amor, se tudo isso. Sim, gente, eu estou sendo piegas e falando de amor de amigo, porque pra mim existe e não tem viva alma que me desminta. Até quarta (amanhã, né?), 22h, meus amigos!


Publicação original de 20/07/2010.

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