(Antes de mais nada, vai o link com o programa passado para vocês baixarem)

Ultimamente eu tenho lido muito no Twitter umas tags de “CALA BOCA ...” e andei me fazendo uma sequência de perguntas que acho necessário dividir com vocês. Primeiro, porém, vale ponderar que essa atitude surgiu com o “CALA BOCA GALVÃO”, que tinha um caráter meio cômico, meio de reclamação. O problema aí estava no Galvão fazer toda sorte de comentários durante os jogos da Copa e como as pessoas se incomodavam com isso. Se alguém queria que o Galvão Bueno parasse de narrar o jogo e fossse através de uma tag que estava se manifestando, tava fazendo errado. Ou se iludindo.

Pois bem, com que surpresa eu não ando lendo “CALA BOCA SABRINA SATO” no Twitter dia desses? Fui saber qual era o pepino, e descobri que o movimento vinha de fãs do cantor Justin Bieber que estavam revoltados com a apresentadora do Pânico. Okei, direito das pessoas, mas o que houve? Pelo que eu entendi, o Justin Bieber foi super estúpido com a Sabrina, já que ela estava fazendo seu trabalho do jeitinho Pânico de ser (“Há quem acredite que Sabrina Sato é burra. São pessoas normalmente com a conta bancária muito inferior a dela” Tititi manjado!). Assim, a apresentadora soltou o verbo sobre o pimpolho amado pelas nossas jovenzinhas. O resultado? Não pooode! Cala a boca, conterrânea que foi zoada pelo americano menor de idade que não sabe o que significa a palavra “alemão”. Ah, agora pode. Entendi.

Outro exemplo mais assustador foi o “CALA BOCA CAPRICHO”. Gente, aí tá pesado. A Capricho é uma revista que fala por e para essa gente, se ela calar a boca, como é que vai ser? Quem vai trazer as notícias pros nossos adolescentes tão ávidos de informação e pôster duplo? Não quis nem procurar o que estava acontecendo, já que por mim a Capricho podia ficar quieta mesmo (“Tiano, sua imparcialidade foi ali na esquina, volta no próximo domingo...”)

Isso tudo só me deixava curioso, até que o fenômeno “CALA BOCA” bateu à porta do vizinho. O nosso colunista Iori, do Rock Shock, fez uma piada sobre o cantor coreano G-DRAGON, usando uma comparação com Justin Bieber. O mesmo Justin Bieber que fez com que as fãs enlouquecidas quisessem o sangue da Sabrina Sato. Bom, o Iori não é a Sabrina Sato, mas eu me preocupo com ele também. O que ele não foi insultado, ameaçado e ouviu de reclamação por simplesmente fazer piada do gosto dos outros. Os outros, por sinal, que não aceitam a comparação porque acham o Justin Bieber um (preencha com seu xingamento favorito). Mas os fãs andam tão iguais assim pelo mundo?

Minha reflexão é a seguinte: onde está a liberdade de expressão e o bom humor? Quando foi que sacramentaram os artistas como impassíeis de serem criticados? Que tipo de censura é essa que os fãs estão fazendo? Sim, porque as novas mídias são feitas também pelos fãs. Quer dizer, se todo mundo agora pode falar na internet o que quer, pra que tanto “chegapralá”? A diferença não leva a um engrandecimento maior? A minha mãe, que passou dos 50, disse que isso é “bullying virtual”, estaria ela tão mais moderna que nossos adolescentes?

É sobre tudo isso que eu nos sugiro debatermos nesta quinta-feira, 23h. Vejo-os no programa!


Publicação original de 28/09/2010.

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