Resenha de CAPSULE, de Dolly (Like an Edison Distribution, 2010). Nota: 8,9.

O novo álbum do Dolly traz energia e graciosidade num álbum super completo!

Se você gosta de trevas, incompreensão, malvadeza, safadeza oculta ou coisas do tipo, passe para o próximo lançamento. Este aqui é pra quem curte um som leve, envolvente, e, por que não?, sensível. O álbum CAPSULE está repleto de uma energia divertida, mescla bem momentos de energia com os de melancolia/sentimentalismo. O estilo é aquele basicão do visual rock mesmo, então se essa é sua praia, sinta-se à vontade com o novo trabalho do quarteto.

Algumas referências surgiram enquanto ouvia o álbum, e talvez isso facilite você a situar-se bem dentro dele. Isso não quer dizer, leitor, que esteja sendo dito aqui que a banda REALMENTE se inspirou nas bandas que aqui serão citadas, que tenha copiado, nem nada do tipo. São apenas referências sem compromisso.

Introduzindo, temos “-Enter-”, seguida do carro-chefe do álbum, “capsule world”. Já começamos com as referências. O experimentalismo desta lembra o do Plastic Tree. Muito boa a música, um trabalho eletrônico sem rodeios ou exageros, vocal doce, de primeira, uma das mais legais do trabalho.

Seguindo, temos “PLAY”, uma das escolhidas como single. Aliás, uma das boas escolhas pra divulgação do trabalho completo. Cheia de energia, extremamente comercial e objetiva. Bom trabalho instrumental e de mixagem, boa música. “1999-Last Judgement” tem um toque bem visual rock dos anos 2000, nada surpreende na faixa, mas isso não necessariamente a faz ruim.

Ahhh, a próxima faixa... não tem outra forma pra defini-la além de: “sutilmente perfeita”. Envolvente, apaixonante, muito bem composta, doce, sensual. A música tem tudo pra ganhar quem gosta daquelas músicas no mais delicioso estilo “noite no cabaré”. O piano e o violino a fizeram muitas vezes mais intensa, e excluíram a possibilidade da faixa se tornar monótona. Simplesmente imperdível. Anote aí na sua listinha que é mais uma boa com o nome “Ajisai”, acho que o nome traz inspiração.

A inspiração sensível escorregou pra “Albino”, sexta do álbum. Sem muitos comentários a respeito dessa, basta dizer que ela é belíssima, e que pode ser considerada um dos pontos altos do álbum, mas isso vai depender do que exatamente você procura ao ouvi-lo. Ah, algumas partes dela me lembraram aquela banda “Ruvie”.

Paradinha pra um instrumental psicodélico de nome “-Shift-” e passamos para a oitava música, “LATE CARNIVAL”. Opa! Escorregadela. A introdução te prepara pra um tipo de música, mas o que se apresenta é outra coisa. De início, me pareceu o momento mais fraco do álbum, a mixagem irrita em algumas partes, assim como a inconstância da faixa. Mas a letra é uma graça, e ela tem uns momentos interessantes, não é uma faixa ruim, mas poderia ter ficado como b-side de algum single, no meio do álbum ficou um tanto anticlimático.

“Vertigo” traz o momento “L’Arc-en-Ciel” do álbum. Além de — pulando os primeiros 15 segundos de música — ela ter remetido a algo meio “Caress of Venus”, o restante da composição me recorda o L’Arc em faixas que não sei precisar. Muito boa essa. Divertida, cheia de energia, com um solinho esperto que dá vontade de cantar junto, uma das melhores em todo o trabalho. Segue outra faixa escolhida para a divulgação do álbum: “GOTHIC PARTY”. Muito interessante, mais uma boa escolha. Dançante, como a própria letra remete em alguns momentos, o trabalho instrumental é animado, contemporâneo, envolvente e, acima de tudo, muito criativo.

O álbum se encerra com duas músicas menos enérgicas, bem bonitinhas: “downer’s poo”, que tem uma atmosfera muito gostosa pra se ouvir, e “Hoshi no Sunadokei”, que é uma faixa meio “balada de fim de CD do SID”. Uma das melhores também, apesar de alguns sons beirando a sonoplastia natalina meio chatos.

Apesar de todas as referências usadas aqui nesta resenha humilde, não se deve ter a impressão de que o Dolly não tem identidade ou que atira para todos os lados. Pelo contrário! Está aí uma ótima sugestão de álbum pra quem é fã do puro estilo visual rock, sinceramente. Se a banda trouxe momentos de decepção para alguns fãs no passado, parece estar ancorando um estilo próprio bem interessante. Baixe e confira!


Publicação original de 26/09/2010.

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