“No início do milênio, a nação entrou em colapso. Com uma taxa de desemprego de 15%, dez milhões não tinham emprego. 800 mil estudantes boicotaram a escola. Os adultos perderam a confiança e, temendo os jovens, aprovaram, consequentemente, a Lei da Reforma Educacional do Milênio, também conhecida como a Ata Battle Royale (ou Ata BR)”.

Baseado no livro homônimo de Kōshun Takami e considerado por Quentin Tarantino, na época, “o melhor filme japonês dos últimos 15 anos”, Battle Royale (2000) narra uma trajetória “anárquica” de um Japão futurista (que é a Grande República do Leste Asiático) dominado pelos jovens estudantes, até que o Governo sanciona a Ata BR, cujo principal intuito é disciplinar alunos que não tenham um bom comportamento em sala de aula, digamos assim.

A Ata BR se baseia num reality show. Anualmente são escolhidos 42 alunos de uma turma do 9º ano, 21 homens e 21 mulheres. Eles são levados a um “stage”, no caso do filme é uma ilha, onde devem se matar e apenas quem sobreviver é o vencedor do programa, televisionado para todo o mundo. O interessante é que as armas que os participantes recebem são distribuídas de acordo com a personalidade de cada um. No caso de nosso lindo casal (leia abaixo), Noriko recebe um binóculo e Shuya uma tampa de panela (!!!). Para se ter noção, há granadas, espadas, foices, submetralhadoras e armas de longo alcance.

 

Em BR, temos alguns protagonistas: Shuya Nanahara (Tatsuya Fujiwara), Noriko Nakagawa (Aki Maeda) e o mais interessante dos personagens, Shinji Mimura (Takashi Tsukamoto). Para dar mais “emoção” ao jogo, também são apresentados dois alunos transferidos: um sociopata, Kazuo Kiriyama (Masanobu Andō), e o misterioso Shōgo Kawada (Tarō Yamamoto). Shuya e Noriko fazem o par romântico de um filme sádico, que foi baseado num dos mangás mais violentos do Japão.

Já Mimura é um líder dentro do grupo: pratica esportes, tem habilidades com informática, além de uma inteligência inigualável dentro do filme. Além do mais, é sobrinho de uns dos maiores líderes revolucionários do Japão. Esse tio lhe ensina como utilizar sua inteligência e, principalmente, seu “sexto sentido” para pôr em ação alguns planos para bloquear a Ata BR, mesmo dentro do jogo e sendo observado e ouvido pelos “apresentadores”. Mimura é a grande mente do filme, ao lado de Kawada. Representa que, mesmo em estados mais anárquicos, há uma boa dose de conhecimento muitas vezes superior à do próprio jogo. O mangá mostra bem como ele pode intervir no jogo. Já no filme, ele é atrapalhado por Kiriyama.

Outro personagem importante dentro da trama é Mitsuko Sōma (Kō Shibasaki), que é uma garota que faz de tudo pra sobreviver dentro do jogo. A versão especial do filme mostra os motivos de a garota ser tão fatal: foi abusada quando criança, sua mãe a prostituía e, para afugentar um dos seus “compradores”, ainda uma criança, ela acaba matando o tarado. Isto é o passo que faltava para Mitsuko se tornar uma das favoritas a vencer o jogo.

O filme ainda conta com a participação de Chiaki Kuriyama (Gogo Yubari, Kill Bill Vol.1), que interpreta Takako Chigusa.

Em suma, o filme traz pequenas reflexões sobre o modo de vida moderno, onde vemos alunos sem ânimo para ir à escola, sem expectativas dentro de sala de aula, os quais seguem um modelo de sociedade visto em algumas escolas estadunidenses dos filmes ianques. O diretor bonzinho, ou o professor, tenta trazer a vontade de aprender aos alunos, os quais, aos poucos, vão aderindo à ideia do seu mentor. Em BR não é assim, pois o professor, ferido pelo boicote, acaba por querer dar um fim aos seus alunos mediante a Ata BR. Tal ferida representa uma quebra de valores em relação à educação, um dos trunfos do Japão. Outro fator interessante é que, dentro dessa “anarquia” dos alunos, há uma sistemática tentativa de formação de pequenos grupos com líderes — o que é dialético, pois dentro desses grupos, exceto um, há constantes brigas pela liderança.

Ficha técnica

  • Battle Royale
  • Lançamento: 16/12/2000
  • Direção: Kinji Fukasaku
  • Tempo: 122 minutos

Publicação original de 09/06/2010. 2 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.

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