Claro que você já teve o seu primeiro amor, não é? E a gente nunca o esquece, concorda comigo?
Isso me faz ter lembranças sobre o histórico de meus relacionamentos. Meu primeiro relacionamento foi muito rápido, ele acabou antes mesmo de eu perceber que havia começado.
Quem me apresentou foi meu pai, um dia eu cheguei da escola e estavam na sala esperando por mim. Eu estranhei, sentia muita insegurança e nervosismo, minhas mãos tremiam um pouco por não saber o que fazer e como fazer, mas, por fim, depois de alguns minutos eu comecei a me sentir bem tranquilo e percebi como aquilo era prazeroso. Mas quando eu estava começando a pegar o jeito, quando eu dominava a situação, tudo acabou de repente, do nada, sem aviso prévio, simplesmente uma historia que pulou o meio, do começo ela foi direto ao fim.
“O que houve? Será que eu fiz algo de errado? A culpa foi minha?” Estes eram os meus pensamentos sobre o acontecido. Meu pai, que estava acompanhando desde o início, disse:
― Ih, será que já queimou?
Sim! O meu primeiro console, presenteado pelo meu pai, não durou mais de uma hora ligado e morreu. Me lembro bem, era um NES com um cartucho do Ninja Gaiden.
Depois disso, eu, já mais maduro, com o coração mais forte pela perda tão precoce, decidi me jogar no mundo e pagar por diversão. Assim não me machucaria, pois eu sabia que eu não podia ter uma relação longa pagando pelo tempo, ainda mais sendo uma criança com uns míseros centavos. Acredito que a morte do NES me jogou para o submundo chamado “fliperamas”. Mas, com o passar do tempo, aquilo começou a me fazer mal, como não, por não ter dinheiro, mendigava fichas, torcia para encontrar fichas perdidas para que eu pudesse ter um momento de prazer.
Não, não era em qualquer máquina, e sim, apenas uma, a única com que eu me identifiquei e sem a qual já acreditava não poder ficar — ela era linda, pintada de vermelho e amarelo, com um símbolo de um dragão dentro de um circulo e continha o jogo Mortal Kombat 1. Eu sempre dava uma passada no fliper voltando da escola para dar uma olhada, eu não gostava quando outros caras estavam jogando nela, eu sentia ciúmes, minha vontade era de tirá-la daquela vida, não queria que mais ninguém a tocasse a não ser eu.
Mas algo aconteceu: a pessoa que me apresentou ao meu primeiro relacionamento verdadeiro me afastou do segundo. Meu pai, ao estranhar a minha demora diária para chegar em casa, soube qual era o motivo, me proibiu de frequentar a casa de fliper e me deu horário para chegar em casa. Desde então, eu não vi mais a máquina do MK1.
Vários meses depois, notando minha tristeza e as saudades que eu tinha de meus relacionamentos passados, meu pai me presenteou com um SNES. Um SNES que tenho até hoje, mesmo ele estando velho, já ter ficado na UTI umas quatro vezes, ele ainda funciona e me dá alegrias. Ele ainda está comigo mesmo com as minhas traições, ele aceitou quando eu o deixei de lado assim que consegui o N64, aceitou eu tê-lo trocado por gráficos melhores assim que eu trouxe o PS2 pra casa para morar junto conosco. E também minhas escapadas para as lan houses, onde eu pagava pela atenção que ele me dá de graça.
Quais foram seus relacionamentos ?
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Publicação original de 14/09/2010. 7 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.