O filme, infelizmente com um titulo mal traduzido, é aqui interpretado como uma comédia romântica. Já no original seria: Up in the Air. O problema do filme para o público brasileiro já começa no título: colocar “Amor” no título geralmente indica comédias românticas. O filme seria, na verdade, um drama com várias pitadas de humor. Trata de temas fortes e espinhosos para os americanos como o desemprego e os relacionamentos frios. Porém, acredito que infelizmente as pitadas de humor, que levam a descontrair o filme, o levam para o lado mais cômico e assim o faz perder a força dramática do tema.
Além de melhor filme para o Oscar, Amor sem Escalas conta com George Clooney para a indicação de melhor ator, e também outras duas importantes indicações que são de melhor diretor e melhor atriz coadjuvante. Muitos podem dizer que o que sustenta o filme é Clooney, porém eu discordo. A personagem de Anna Kendrick contracena de forma vívida e descontraída. Ela seria pupila de Clooney, que não concorda com seus métodos.
Amor sem Escalas é um dos filmes indicados ao Oscar de melhor filme este ano. Além disso, o embasamento da infelicidade do personagem principal está belissimamente descrito pela fotografia do filme. Ele é metódico e organizado, os cortes são secos, a câmera é firme e os closes são muitos. Quando ele está desconfortável com a sua família, a câmera passa a ser a mão, rebolando através de todos, se infiltrando de maneira indiscreta.
Mesmo com uma boa fotografia e papéis bem interpretados, acredito que não seja esse que mereça a estatueta. Não vejo força dramática suficiente no filme para ganhar o prêmio.
Publicação original de 13/02/2010. 2 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.