Às vezes realmente vale a penas ler algumas entrevistas, no meio de todo aquele falatório (as bandas falam as mesmas coisas, deve haver algum curso para isso) consegue-se extrair algo. Dois trechos de uma entrevista que D’espairsRay concedeu ao JaME, apesar de toda a embromação, me esclareceram sobre como uma banda que fazia coisas interessantes, densas, como “Valentine” e “Zetsubō Romance”, se perdeu:

Então pediremos a você, HIZUMI, para nos contar a história do álbum.

HIZUMI: Falando num geral... Eu não acho que este seja um álbum para se escutar com atenção. Ele é mais como um de nossos shows. Claro que isto não significa que não haja canções que te façam escutá-las atenciosamente mas, em um todo, acredito que a maioria das canções é do tipo que você curte em nossos shows. Acho que este álbum se combina com o D’espairsRay, para melhor ou pior.

Mas, escutando o que você diz, sinto que letras mudaram bastante. Há mais palavras positivas que antes.

HIZUMI: Sim. Quando eu vejo nossas letras antigas... Elas não mandavam a mensagem exata que queríamos mandar. (sorri) Havia várias músicas em que eu lançava meus pensamentos de uma forma e, honestamente falando, eu duvido que quem as escuta realmente sente isso. Elas eram muito unilaterais. Bem, eu não sei sobre aqueles que tocam os instrumentos mas, para os cantores, quando eu canto aquelas músicas nos shows, eu ponho todos os meus pensamentos nelas. Eu acho que isto é um acréscimo, mas, quando eu canto muito aquelas músicas, é bastante duro.

Em suma: assumiu que, hoje, D’espairsRay é um besteirol feito só para fazer pular nos shows. Há ritmos bem brasileiros com essa mesma intenção...

Isaac Babel, um dos meus contistas favoritos, certa vez disse: “Nenhum ferro aguçado pode atravessar o coração humano tão friamente como um ponto final colocado no lugar exato”. O que Hizumi, bem como toda a banda, não percebe é que exatamente esse ponto foi perdido; hoje soam como uma coisa qualquer que abriu-se a uma música que é, na verdade, o oposto do que já foram, e isso está longe de ser positivo.


Publicação original de 10/11/2010.

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