Não vou dizer que nããão queria ir ao cinema ver A Verdade Nua e Crua (The Ugly Truth), só porque era mais uma comédia romântica americana enquanto estava passando o Festival do Rio. Mas era uma quarta e, para os não cariocas, devo informar que quartas-feiras é o dia de promoção em muitos (três!) cinemas no Rio de Janeiro.
Então, fui eu acompanhada ver mais uma comédia romântica que você já sabe o final nos primeiros 20 minutos de filme. O cinema estava vazio, no máximo seis pares de adolescentes namorando e um gatão da meia-idade. O cartaz do filme não chama a sua atenção, já que é a cópia de uma camiseta de um pré-adolescente que levou um fora. O filme fala sobre o relacionamento entre uma produtora gostosa, Abby (Katherine Heigl), que quer encontrar o cara perfeito, e um apresentador troglodita, Mike (Gerard Butler), que dá seu ponto de vista, digamos, distorcido da vida a dois.
Logo de cara dá pra perceber quando alguém quer fazer um filme direito. Ninguém pode esquecer que o gênero d’A Verdade Nua e Crua é comédia romântica, com seus prós e contras. É um gênero “mistura pronta para bolo”, junte mais dois ingredientes, asse e pronto. Tem aquela música bacana de início, que deve ter custado uma fortuna, para conquistar o público logo de cara. Tem a cena de sexo e, lógico, tem o beijo no final, etc.
Os clichês existem, mas são bem colocados, não aparecendo pejorativamente. A grosseria do Mike não é absurda pra fazer a mulherada se sentir ofendida, o tema sexo é muito presente, mas tratado como comédia deixando o filme divertido e não promíscuo. Na verdade, fiquei curiosa para saber se não ia mesmo deixar a mulherada irritada, mas a pitada de romantismo conforta as moças. O filme agrada ambos os sexos. Não é porque é fácil fazer comédias românticas que elas sempre saem legais e divertidas.
A Verdade Nua e Crua é um filme que é completo no que se propõe ao público e isso me agrada. Ele começa e finaliza com músicas estilo pop americano bem famosas: “Right Round” (Flo-rida) e “Hot N Cold” (Katy Perry), estratégia bem cara para deixar o público satisfeito do início ao fim.
A fotografia na cena da dança latina é extremamente trabalhada. Além de haver um contraste de tons e uma profundidade de campo grande, o que é difícil em comédias românticas (que são iluminadas que nem o Xou da Xuxa, tudo muito branco, chapado, sem sombra), há a preocupação em criar o ambiente latino romântico com canhões de luz, no caso amarelo e azul, que são cores que se complementam. Amarelo focado no casal, a Abby e o Mike, e o azul no resto do cenário.
Não é porque todo mundo faz bolo, não é porque a maioria dos bolos são solados e borrachudos que de vez em quando algum saia gostoso. Eu gostei. Curtam o trailer!
Publicação original de 09/10/2009. 2 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.