Recentemente, a Google lançou a versão beta um plugin para o Internet Explorer, chamado Google Chrome Frame, que faz com que determinados sites usem as engines de renderização e de JavaScript do Chrome, respectivamente WebKit e V8. Em suma, dá uma forcinha a quem ainda não pode fazer upgrade do IE6/IE7 e também a quem não pode/não quer instalar o Chrome.
Como todo beta, é uma solução ainda imperfeita. E como todo beta, os críticos descem a lenha como se o produto já fosse finalizado. Em especial a Microsoft, que chutou o pau da barraca dizendo o óbvio: o Chrome Frame é apenas um controle ActiveX, e qualquer controle ActiveX (inclusive qualquer programa de computador) a mais significa um ponto a mais em potencial para malwares infectarem computadores.
Exceto que o Chrome tem três pontos a favor:
- Nenhuma versão do IE no Windows XP goza do (excelente) modelo de sandboxing introduzido a partir do Windows Vista, portanto o Chrome Frame tornaria o navegador mais seguro, apesar de passar adiante os bugs do Chrome.
- O atualizador automático da Google é extremamente eficiente, possibilitando patches minúsculos (já que as correções de segurança no código-fonte costumam ser igualmente minúsculas — erros de digitação, asteriscos que passaram batido ao olhar, etc. — quando se constrói um produto pensando-se em segurança desde o começo, de baixo para cima).
- A Microsoft tradicionalmente não se preocupou com seguir padrões web corretamente; só agora chegou à festa, e bem atrasada. O IE é o único navegador sem um motor JavaScript eficiente, no estilo V8 e TraceMonkey. E nada como a concorrência dar um peteleco na zoreia, mostrando como se faz.
Mike Shaver, vice-presidente da Mozilla, fez uma crítica parecida, embora melhor fundamentada e menos agressiva: as versões atuais do Chrome Frame não têm como compartilhar informações como cookies, o autofill dos formulários, ou listas de sites hospedando malware com o navegador hospedeiro (cada um teria banco de dados próprio). Do mesmo modo, funcionalidades como navegação privada (InPrivate), Accelerators e Web Slices ficariam desativadas para sites que fazem uso do Chrome Frame.
Dito isso, “discordo concordando”. Claro que o normal é o usuário baixar o Chrome, instalá-lo, usá-lo e seguir adiante, mas há essa parcela de usuários que prezam a familiaridade de interface e as funções do seu navegador preferido. Migrar de um produto para outro é praticamente como deixar um país. Mas, se a proposta do Chrome Frame for mesmo um “navegador dentro de um navegador”, então a proposta é realmente furada. Caso contrário, vislumbro (e espero!) totalmente a possibilidade de integrar-se apenas o que torna o Chrome tão melhor que o IE: as velozes engines de renderização e JavaScript (e o sandbox, no Windows XP). Nada mais. Sem barreiras.
Em tempo: O site da Rádio Blast! já tem suporte ao Chrome Frame. Caso você também se interesse em fazer com que o IE utilize o plugin no seu site (se o visitante o possuir, lógico), basta adicionar a tag <meta http-equiv="X-UA-Compatible" content="chrome=1" /> em qualquer lugar entre <head> e </head>.
Publicação original de 30/09/2009.