Recentemente, em entrevista à Revista Veja, o senador pernambucano pelo PMDB Jarbas Vasconcelos fez críticas a corrupção na política. Incluindo até seu próprio partido, o político fez uma “denúncia generalizada” (sem apontar nomes) a todo o cenário político-partidário brasileiro afirmando que a corrupção é um problema crônico do país. Não me parece nenhuma informação nova, mas nos leva a reflexões sobre esse mal que assola a sociedade.
A corrupção é fruto de um sistema que é excludente por natureza e faz com que as pessoas queiram se dar melhor que as outras. Num sistema de saúde frágil, no qual mulheres dão à luz na fila da maternidade, é evidente que se você for um médico e seu filho tiver sofrido um acidente, por exemplo, e precisar de atendimento, você dará prioridade para atendê-lo o mais rápido possível. Não seria isso uma forma de corrupção? É claro que sim. Nesse caso (e em muitos outros), a corrupção só conhecerá o fim quando todos tiverem acesso aos serviços básicos. Dessa forma, ninguém precisará de privilégios.
Por outro lado, não seria o Congresso uma espécie de espelho da sociedade? Pagar um cafezinho para o guarda de trânsito não te multar por estacionar em local proibido ou estar com o IPVA atrasado é uma forma de corrupção. É claro que a maioria dos indivíduos que praticam esses atos não refletem sobre isso ou julgam a gravidade do que fazem menor do que os que Sarney e companhia fazem em Brasília. Talvez seja a hora delas mudarem seus conceitos. Da mesma forma que uma ditadura não é mais violenta que outra porque assassinou mais pessoas, não existe um termômetro que mede o grau de corrupção das atitudes dos indivíduos.
A extinção da corrupção é um caminho longo, lento, que precisa de mudanças profundas na sociedade e na mentalidade dos indivíduos. É impossível crer que podemos viver numa sociedade excludente mas sem corrupção. A diminuição da desigualdade social, aliada a ampla educação e informatização da população é o caminho tortuoso em direção ao fim da sociedade dos privilégios.
Publicação original de 09/03/2009.