Resenha de Tamashii no Yukue, de Quruli (Victor Entertainment, 2009). Nota: 6,0.

Progressivo setentista? Country? Alternativo? O que diabos afinal é Quruli?

Fica aí uma pergunta interessante. Quruli, uma banda de pop-rock alternativo formada em 1996 lançou seu novo álbum, Tamashii no Yukue. O álbum seria, numa ouvida despreocupada, mais um álbum alternativo qualquer, daqueles tipo ART-SCHOOL & cia. Mas não é, pelo menos não necessariamente.

As faixas todas sofrem de um mal irreparável, são todas na mesmíssima linha, o que o torna muito cansativo. É todo tomado por um “feeling” bem relaxante que teria sido muito interessante se não fosse presente o tempo todo.

O vocal não ajuda muito também, a voz monótona de Shigeru Kishida aumenta drasticamente a mesmice do álbum. Os pianos e teclados espalhados por ele também.

Mas ainda assim há algo que chama atenção, se é positivo ou não, vai depender da sua visão. Algumas músicas deste lançamento tem a característica de se desenvolver dentro dos minutos que lhe são dados. Algumas músicas começam bem lentas, até arrastadas, e vão crescendo de uma forma até interessante — mas não se engane, elas não ficam mais agitadas —, como é o caso da “Taiyō no Blues”, uma das mais interessantes do álbum.

Há ainda umas faixas meio perdidas, como a faixa natalina “Yagisha”, que lembra um pouco o country americano — se puséssemos um texano no lugar dele pra cantar a música ficaria até engraçada. Já “Li Lu Le Lo” é o tipo de faixa que bandas como BUCK-TICK teriam feito bem melhor, mas é também um destaque do álbum. “Tsurai Koto Bakari” nos leva diretamente ao tipo musical muito explorado por bandas ocidentais de progressivo, tipo Renaissance, só que mais agitada e mal cantada. O toque old-setentista se repete em “Bébé Bu” também.

Na segunda vez que se ouve o álbum ele parece melhor do que na primeira. Pra quem quer tentar ouvir algo por curiosidade é até interessante, pode-se destacar a utilização feliz de instrumentos variados nas faixas, o que faz ficar um tanto quanto diferente das bandas japonesas do estilo. Um grande exemplo disso é a faixa “Kago no Naka no Johnny” que tem uma utilização experimental de violinos a la folk, baixo e bateria bem marcantes, tudo isso em mais de sete minutos de música (uau).

Outra coisa interessante pra se notar foi a escolha da música-tema do álbum. “Tamashii no Yukue” é uma música que passaria até despercebida no álbum, se não fosse o fato de ser uma das mais agitadinhas. Interessante a escolha de uma faixa tão “ordinária” para tema de um lançamento. O trabalho deles nela foi até bem peculiar, boa faixa.

Enfim, tome um banho bem quente, deite na sua caminha quentinha e ouça o álbum, você vai relaxar bastante!


Publicação original de 12/06/2009.

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