Eu estava devendo algumas opiniões sobre lançamentos do mês passado, então corri com algumas resenhas sobre as que mais gostei. Nada de impressões muito negativas, não quero ficar carrancudo até no fim do ano. São boas indicações para quem está a fim de surgir do usual. Pode perceber que até a primeira resenha, que costuma ser negativa, tem um ar de satisfação. (:
DELUHI - Yggdalive
Uma das características do metal finlandês é a sensação de que fomos transferidos para alguma guerra nórdica para um confronto de espadas em busca de maior território. Quando DELUHI escolheu uma faixa de abertura que segue a tradição da música nórdica ligada a uma faixa do mais puro heavy metal europeu, parecia que eles iam seguir à risca a escolha do nome Yggadalive e abrir as portas para um caminho menos saturado. E eles voltam ao new metal/metal core à Avenged Sevenfold, que é marca registrada da banda. Não é nenhum problema, eles sabem mexer com esse tipo de som, mas depois de tantos apontamentos de um novo caminho para cair no lugar-comum. Até tentam dar uma peada mais forte nisso em “Hello”, mas aí já é meio tarde, e a sensação é de estar ouvindo alguma b-side. Em resumo: é um bom disco, mas que se perde em sua própria proposta.
Lacroix Despheres - Scivias / Passiflora Caerulea
Essa banda já havia aparecido há muito tempo, bem no início do Risk en Eve, e desde então eu não tinha tido notícias deles; então me aparece esse single, que também é o primeiro lançamento depois de tanto tempo, e volto a ouvir a banda e me recordar porque tinha gostado tanto deles.
O estilo da banda sem mantém firme no heavy metal sinfônico, e isso já se nota na faixa “Scivias”, que abre o single com imponência numa introdução que lembra “Aristocrat’s Symphony”, de Versailles — mas sem outras semelhanças com tal banda, o modo como Lacroix Despheres desenvolve a música é bem distinto e até mais bonito do que o da banda de Kamijo; temos flautas, coral de verdade, um belo dueto de voz masculina e feminina (que trás semelhanças a outra banda excelente que tinha uma proposta semelhante: AMADEUS) e a guitarra é usada como mais um instrumento dentre tantos; algo atípico numa banda de metal.
A segunda música do single, “Passiflora Caerulea”, é mais como uma versão não eletrônica de ALI PROJECT; seja pela timbre da vocalista, ou pela atmosfera romântica e delirante. Apesar de alguns desajustes no tempo, a música é gostosa de se ouvir.
É uma pena que uma banda como Lacroix Despheres não seja tão ativa e nos aflija com meses, anos, de espera por um lançamento.
exist†trace - Ambivalent Symphony
Por serem uma banda feminina com algumas boas músicas e de semelhança com D’espairsRay — antes deles vestirem branco —, exist†trace vem conseguindo cada vez mais espaço numa cena dominada por homens, sendo hoje a maior banda feminina do visual kei. É justo e até saudável, já que a maioria das bandas femininas é medíocre.
Ainda há a atmosfera sombria e violenta de D’espairsRay, como pode-se constatar na música de abertura, ou em “Ambivalence” (esta com uma suas algumas pitadas de visual rock), mas há também uma busca pelo novo, como em “Umi no Shizuku”, que trás o estilo delas inserido em uma sonoridade mais ousada. Mais do que qualquer outro lançamento das garotas, Ambivalent Symphony é uma prova de amadurecimento com aquilo que elas prepuseram inicialmente.
Rice - Rikkyoku Sympathy
Eu não sou nenhum fã deles, ouvi algo deles só por causa de Yuki, que foi um dos melhores vocalistas do visual kei quando estava na banda Raphael; ele continuava com uma bela voz, mas a música era uma chatice. Depois de anos sem ouvir nada da banda, vejo que estavam lançando um miniálbum, e um comentário de que esse lançamento era mais rock me empolgou. Não é nem tão rock assim, mas é sem dúvida o melhor trabalho deles! Mais animado e com um que de retrô, Rikkyoku Sympathy é uma beleza do começo ao fim. É impossível ouvi-lo e depois não sair com o refrão de “Crunch”, no qual Yuki canta com um belo, e estranho, falsete “Do i say, do i love? Do i loooooove”, grudado na cabeça.
SEX-ANDROID - Heisei Kotonakare Shugi!
Essa é a banda angura mais popular do momento, que tem seus lançamentos garantidos no top 10 do Oricon indie, e que, por aqui parece ter passado despercebida. Não é nenhuma surpresa, claro, já que eles o pessoal da banda é feio e estranho, o vocalista tem uma voz estranha (pré-requisito para banda angura) e fazem punk barulhento. Mas vou defender a banda, pois eles se assemelham mais os momentos punk de cali∦gari do que a The Stooges, ou Sex Pistols, por exemplo, chegando até a algumas melodias mais pops. É nesse caminho que se encontra Heisei Kotonakare Shugi!, mais acessível em suas melodias, com uma melhora notável do vocalista, é a melhor opção para um ouvinte de primeira viagem em toda a loucura da banda.
XOVER – Aureola
Este era o lançamento que eu mais ansiava ouvir, depois da excelente estreia com XGATE, a banda é uma das que mais tenho ouvido ultimamente. Primeiramente, o álbum parecia desorganizado, as músicas pareciam não trabalhar bem entre si, então resolvi ouvir cada faixa isoladamente e de forma aleatória, e funcionou. Talvez a melhor opção fosse ter lançado mais dois miniálbuns, pois essas dez músicas parecem ter vida própria e se odiarem.
Eu já disse que não esperava por mais músicas como “metem psychosis”, de certa forma nenhuma das dez músicas tem o mesmo aquela mesma força misteriosa, mas Aureola evoca a nostalgia, e faz com que fiquemos perdidos. De certa forma é algo semelhante ao que JILS se propunha em nos dispor. Ainda estou em dúvida se gostei mais de “Everlasting...” ou “mermaid”; acho que não importa, não é de nenhum mal ter duas favoritas.
Publicação original de 04/11/2009. 6 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.