Primeiramente, gostaria de me desculpar em nome de todo o fã clube. Tivemos alguns problemas técnicos e pessoais, que acabaram nos atrasando para mandar a entrevista para o Hick, por isso a demora aqui =/
Maaas, antes tarde do que nunca, certo?
Entrevista: Hick Duarte
1. Quando e como você teve a ideia de criar uma rádio?
R: A ideia de criar uma rádio surgiu em meados de julho de 2006, num momento em que eu e o Guideki (Guilherme, meu primo) não tínhamos nada pra fazer. A gente era fascinado por animes na época, mas ainda não tínhamos descoberto a Internet e só acompanhávamos aquilo que passava na TV aberta. Então a gente começou a usar o computador, a descobrir as músicas que estavam nas aberturas e encerramentos dos animes, a ver anime pela Internet. Sempre procuramos nos organizar com essas coisas. Por gostar muito de animes, tínhamos um clubinho, daqueles com sede, membros oficiais, reuniões, atividades diversas. Daí pra começar a gostar de música japonesa e decidir criar uma webrádio foi um passo.
2. Quanto tempo durou desde que o seu plano saisse do papel até virar realidade?
R: Não demorou. A gente sempre foi muito ansioso e imediatista com tudo. O Guideki tem uma ideia no dia e no outro dia já quer concretizar. É o meu caso, também. Na época da criação da Blast!, a gente viu que dava pra começar uma webrádio de graça, sem ter que pagar nada. Bastava ter música e os programas certos. Em um mês, de julho pra agosto, a gente já fez o plano virar realidade. A rádio nasceu mesmo em 17 de agosto de 2006.
3. No inicio da rádio você já imaginava que ela alcançaria o sucesso e reconhecimento que tem hoje?
R: Apesar da nossa inocência e inexperiência na época, a gente sempre acreditou muito no projeto e eu acredito que é essa confiança que nos motiva a estar no ar e sempre buscando o melhor até hoje. Claro, era um sonho muito distante ver a rádio alcançando os 1000 ouvintes, coisa que virou rotina pra gente nos dias de hoje. Mas a gente imaginava isso sim. Tava nos nossos planos, nos nossos planos mais longes, mas era um lance que a gente já previa. Eu antigamente tinha um blog chamado Zoreia Blog e lembro que na página havia um bloco chamado “sonhos” que tinha uma screen do site da rádio editada com 1000 ouvintes no contador. A sensação de ver, alguns meses atrás, aquela screen se tornando verdade foi indescritível. Só que eu ainda acho que a gente ainda tem muito a trilhar, muito mais sucesso pra fazer e reconhecimento pra conquistar.
4. Se você pudesse fazer algo pela rádio e/ou pelos ouvintes, o que você faria?
R: Na minha visão, eu faço sacrifícios mensais pela rádio. Não sou um cara rico. Preciso pagar um monte de despesas da faculdade, comer, andar de ônibus, ler o jornal e cobrir os custos com a rádio. Tudo isso com mágicos R$ 465,00 (um salário mínimo). A minha sorte é poder contar sempre com a ajuda da minha mãe e com a colaboração e paciência do AMF, que hora ou outra tá tendo que tirar uma grana do bolso também. Temos uma despesa de cerca de R$ 300,00 mensais com a rádio.
Não é fácil mantê-la financeiramente. Fora esse problema com a grana, fazer algo pela rádio e pelos ouvintes já se tornou uma atividade prazerosa. Quando edito uma notícia, anuncio a realização de um show/evento ou apresento um programa, estou fazendo algo pela rádio e, consequentemente, pelos ouvintes. Isso sem sacrifício nenhum.
5. Resumindo em uma palavra (ou poucas palavras) o que a rádio significa para você.
R: Um grande desafio e um grande laboratório.
6. Atualmente a música japonesa é mais conhecida no Brasil do que alguns anos atrás, isso graças à divulgação por blogs, pelos animes, pelo “boca a boca” e por webrádios. Você se sente de certa forma responsável por isso também?
R: Me sinto, sim. E posso falar isso em nome de toda a equipe da rádio. Não é raro ler na janela de recados a mensagem de um ouvinte dizendo que está ouvindo j-rock pela primeira vez e curtiu muito, agradecendo por termos lhe apresentado uma banda foda, pedindo link de sites com maiores informações, ou com arquivos pra baixar. Esse tipo de recado a gente vê todo dia, é muito frequente. É a prova de que mais pessoas estão passando a ouvir música japonesa hoje, principalmente pela Internet.
Mas, obviamente, não é uma responsabilidade só nossa. Existem muitos blogs espalhados por aí que têm a mesma intenção que a gente tem com a rádio. Sites de animes também ajudam a popularizar isso. São, aliás, a grande porta de entrada para quem quer conhecer melhor vários aspectos da cultura japonesa, inclusive a música. Fora o “boca a boca”, que sempre contou muito.
7. Como é administrar uma rádio com um público-alvo jovem? Isso facilita, dificulta ou mesmo torna as coisas mais divertidas?
R: Facilita e torna as coisas mais divertidas. Facilita porque a comunicação é natural. Eu não tenho que me passar por jovem pra falar com um público alvo jovem, afinal eu tenho 18 anos. E é exatamente esse o caso dos mais de 40 DJs da equipe. Claro, em várias ocasiões, eu procuro escrever de forma formal e até menos próxima do universo jovem, como é o caso de alguns comunicados e reportagens. Mas durante os programas, na hora de falar com os ouvintes, é só deixar fluir que tá tudo certo. Não tô dizendo que a gente não precisa se concentrar, muito pelo contrário. Mas a preocupação com a linguagem é bem pouca.
8. Logo após a sua graduação, pretende fazer a Blast! subir mais patamares, e, porque não, virar uma Rádio FM nacional que os ouvintes tanto anseiam?
R: Não digo que não pretendo, mas não sei se isso tá ao nosso alcance, até mesmo depois de me graduar. Transformar a Rádio Blast! numa rádio FM é, de fato, um sonho de muita gente, mas não sei se vamos dispor de dinheiro até lá e se a lei de direitos autorais vai estar do nosso lado também. Não que seja impossível de acontecer, mas não acredito que uma rádio FM sobreviva só de música japonesa hoje. O público tá em crescente expansão, mas uma rádio FM é uma empresa, uma empresa precisa de retorno financeiro pra sobreviver e eu não sei se a cena seria capaz de dar suporte ao projeto. Por hora, transformar a Rádio Blast! em rádio FM está fora dos planos.
9. Por que o nome “Rádio Blast!”? Como surgiu esse nome?
R: Eu e o Guideki criamos o slogan primeiro, “Uma Explosão de Conteúdo”. Depois procuramos algum nome que tivesse a ver com o slogan e com barulho ao mesmo tempo. Pensamos em nomes como “Splash” e variáveis, por exemplo. Mas aí surgiu “Blast!” e a gente achou que, além de combinar com a ideia, soava muito bem. É de fácil pronúncia (ainda que muitas pessoas ainda hoje falem “blást”) e dava espaço para uma identidade visual bacana, que é o que a gente desenvolve com a bomba, e tal. Deu certo e tem dado certo até hoje. Acho que foi uma das decisões maia maduras que já tomei quando tinha 12, 13 anos. Até hoje não me arrependo do nome, nem do slogan do projeto, mas me arrependo de um monte de coisa que fazia e inventava com essa idade.
O proximo DJ, que será homenageado ainda HOJE (se tudo der certo!) aqui no fã-clube, será o Guideki! Fiquem atentos aos proximos posts! =]
Publicação original de 16/04/2009.