Há mais ou menos um ano — no natal do ano passado, especificamente — minha família organizava seu tradicional amigo oculto. O diferencial é que estávamos em Brasília, na casa de meus tios, e foi tudo feito no escuro, cada qual dando um presente que quisesse para seu amigo oculto. Bom, agora que ambientalizei vocês, acompanhem...

Minha tia me aparece com uma camisa, muito bonita por sinal, de uma loja até bacana, escrito “SIMPLE” em tecido. Achei ótima, vestiu bem, tudo podia ficar em flores, SE não tivesse escutado o seguinte comentário: “Eu comprei essa, porque não sabia qual era o estilo que você veste. Qual a sua tribo?”. Imediatamente respondi: “Ianomâmi”. Tribo, que eu saiba, é coisa de índio.

Aí eu uso esse episódio familiar maravilhoso para me ajudar a ilustrar essa dficuldade que é viver com ou sem uma etiquetagem — o que esbarra, inclusive, em tribos dentro de tribos, e no que define cada qual, se roupa, atitude ou que tipo de j-music/hip-hop/rockzinho alternativo você escuta ajuda a determinar quem é você num grupo. Não que eu não ache que as pessoas se reconheçam em grupos e que andar em cardume seja ruim, não acho. Mas pra que etiquetar a si e ao coleguinha de “emo”, “eroguro”, “playsson”, “cocota”, “punk”, “bicho de pelúcia tarado”?

No próximo programa, quero a opinião de vocês sobre tribo. O que as unem, se vocês se reconhecem dentro de uma, as coisas boas de se nomear de um grupo, as desvantagens, o que leva alguém a querer não carregar títulos. Sempre num debate cabeça aberta, certo? Um beijo e até logo pros emos, eroguros, punk-roqueiros, lolitas, travestis maçônicos, sambistas, etc...


Publicação original de 08/12/2009.

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